quarta-feira, janeiro 06, 2010

Conchelos


Agora que sei que os poupilos são conchelos, já posso pesquisar na net (ver post anterior).
E sinto-me muito feliz porque descobri grandes propriedades interessantes dos poupilos/conchelos: são bons para a epilepsia, o suco é calmante, a folha é boa para feridas e para queimaduras...
Era uma das plantas da minha infância, que tinha esquecido há décadas, até que as vi por acaso na Espiúnca, uma aldeia para onde gosto de ir passear, por ser ainda muito campestre.
Lembro-me de que me esqueci de que a minha mãe me ensinou uma brincadeira especial com esta planta. Creio que ela representava ou simbolizava qualquer coisa; uma boneca, a roupa da boneca? A comida? Vi na net que a planta fica vermelha no Verão e dá flores. Arroz? Será que as flores faziam de conta que eram arroz?
A minha mãe sabia brincar sem brinquedos, como quem nunca os teve e ensinava-me a fazer isso, o que era mais curtido do que ter um fogão que parece um fogão, uma panela que parece uma panela, como as das minhas amigas, que me pareciam ridículas. Elas e as suas domésticas panelas de brincar.

Duvido que alguém se lembre destes muitos pormenores que a minha mãe me dizia e que esqueci. Não é possível perguntar-lhe a ela, que já morreu há séculos... no século passado.
Mas eu lembro-me de que me esqueci. E sei que era giro aquilo que lembrava, se não tivesse esquecido. Tinha a ver com símbolos. Com representações irreais, muito mais belas do que a realidade.

"Infância, a idade de ouro dos poetas" - Garrett


Afinal, a Inteb e a Emília lembram-se bem disto tudo. Porque será que esqueci?

Mas vocês nunca tinham ouvido falar das suas propriedades medicinais, nem imaginavam, pois não? A Internet é incrível: juntou logo as vossas memórias e a informação dum "expert" no assunto.


3 comentários:

Anónimo disse...

Não te lembras de utilizar o tuberculo (ou raiz) dessa planta para simular batatas e as sementes para substituir arroz nas brincadeiras que todos fizemos enquanto crianças, quer para simular cozinhados quer para vender nos mercados que também inventavamos?
Como não havia jardins de infância, eramos criados à solta, uns com os outros e sem horários etTudo era utilizado e servia para simular brinquedos, coisa que as crianças de agora não fazem, porque não têm tempo e também não precisam de ter imaginação para se entreterem, porque tudo lhes é dado já feito.

Um beijo

Intebe

Anónimo disse...

embora muito atrasada dou aminha contribuição : para mim eram batatas e arroz como diz a intebe mas também azeite ! apertava as folhas e a seiva era muito verde e um pouco oleosa....dai o azeite!
mas eu não tenho saudades da falta de brinquedos!
emilia

Nádia Jururu disse...

Realmente não me lembrava de nada disso, como disse no post, mas lembrava-me de que me esqueci.
Acho que não brinquei aos mercados.
Respondendo à Emília: não é ter saudades da falta de brinquedos, mas eu sentia um certo desprezo pelos brinquedos "domésticos": panelas, fogões, arroz verdadeiro, assim como me incomodava muito a diferença de tamanho das bonecas. Creio que esse problema ainda não foi resolvido... LOL