quarta-feira, novembro 30, 2011

Fil Arte Lisboa - continuação



Da última vez que postei aqui sobre este tema, prometi que voltaria. Substituí algumas fotos nos posts anteriores, estavam um nadinha tortas, ou assim, e acrescento algumas neste.
Voltei à Feira depois disso. Havia muito menos gente. Descobri obras que me tinham passado despercebidas. E que aqui vão. É questão de clicar nos links que vos interessarem, ao fundo da mensagem. Aparecem todos seguidos, no écran. [Ai, há gente que ainda não sabe ver blogues!].

Quanto à do tema central, Mabel Poblet, artista cubana, só não comprei, com pena minha, uma das suas peças, que me agradou muitíssimo, porque é feita de um material muito perecível. Películas de plástico... pregadas com pequenas taxas. E sem nada a tapar, que é a técnica utilizada por esta artista. Como sou um Nadinha trapalhona, não me vejo a espanar, espadanar, etc... a obra...  e a minha mulher a dias não será, talvez, a pessoa indicada para o fazer, acho eu...
Enfim, a peça era esta na imagem acima. A foto incluída é o auto retrato da autora.
(Nunca entendi como se conservam certas obras modernas contemporâneas. Muitas. Muitíssimas.)

Enfim, vejamos o que mais descobri de interessante. Não sei até que ponto os blogues têm o direito de postar fotos de obras, mas alguns artistas têm-me agradecido por as divulgar. É algo que fica na net. Que pode ser visto em todo o mundo... Se eu morresse agora, ninguém poderia alterar nada disto. Mas eu não estou morredoira. 
Felizmente. Acho eu. E podem pedir-me que apague. 


Enfim, este blogue vai fazer 6 anos em 1 de Janeiro. Postei muitas obras de arte, muitas críticas à situação política e outra, mas até agora não tive nenhum desentendimento com ninguém, além de ter recebido muitos agradecimentos. 


Um post como este pode não interessar hoje a ninguém e interessar amanhã a muita gente, etc...

segunda-feira, novembro 28, 2011

Ainda o fado fadista, no pior sentido destas palavras


A Mísia, uma fadista que passa mais tempo a cantar o fado no estrangeiro do que em Portugal, não apareceu nas reportagens sobre o fado como património da humanidade, ao contrário de pessoas que andam mais por aqui, a cantar uns faditos, uns fadunchitos... Ok. Hoje foi a uma entrevista na RTP Informação e, a meio da sua fala, ouviu-se um forte ruído, inusitado, que a impediu de continuar. Disseram que ia falar mais tarde, mas não foi. Tantas coisas esquisitas que acontecem neste país... tanto compadrio, tanto nepotismo... não é isso que deveria ser penalizado?
Onde vamos parar com estas atitudes?

Há outros casos de censura, claro. Mas quem é que a faz? E porquê? não me parece que haja qualquer controle sobre esta situação.

Conheci em tempos, muito bem, a grande poetisa Natália Correia. Era tão culta e tão contestatária que todo o mundo a receava. Sobretudo os amigos e os pseudo amigos. Que eram muitos. Sendo política, conjurava em seu redor uma corja. No sentido camiliano de corja.
Um dia em que me preparava para ir ao Botequim, o bar em que Natália pontuava e dizia "missa", vi na televisão uma entrevista do David Mourão Ferreira e não entendi uma palavra. Era importante. Estive para não ir ao Botequim, por medo de dizer que não entendi patavina. Eu andava a escrever uma tese sobre a poesia dessa escritora, aquele era o dia da poesia, as entrevistas que tinha visto sem entender eram de vários poetas a propósito do tema. Mas apetecia-me ir e a tentação foi mais forte. Mal entrei no bar, ainda mal tinha transposto a porta, a primeira pergunta que a Natália Correia me fez, foi esta: 
- Ó menina! Você viu a entrevista do David Mourão Ferreira?
- Vi - respondi, quase a tremer. 
- E percebeu alguma coisa do que ele disse?
- Bem, quero dizer, hummmm... não! - Parecia um daqueles pesadelos em que corre tudo mal... Eu só queria tomar uma bebida e conviver um nadinha ... era sábado à noite ou assim...
- A menina é a primeira pessoa que me diz que não percebeu nada. Os outros todos dizem que perceberam muito bem, mas não me sabem explicar o que é que ele disse... e eu também não percebi. 
- Sim Natália, eu confesso que não entendi uma palavra. E bem que tentei...
- Ah! Então, eu vou telefonar ao David. (Morri de medo).
- Está? David? Ninguém percebeu nada do que você disse. Eu também não percebi nada.
Após a conversa, o caso foi óbvio. Cortaram tantas frases em que o poeta David Mourão Ferreira criticava o governo e a situação, que o resultado era completamente impossível de entender.
Bem, façamos de conta que o David era tão intelectual que ninguém o percebia. É este faz de conta... que conta. Tomando como papalvos os espectadores.

Foi através da Natália Correia que conheci a Mísia. A Natália ficou siderada ao ouvi-la cantar e convidou-a para fazer um show no Botequim. Achou-a extraordinária, invulgar, extravagante, única. Isto aconteceu pouco antes de a Natália morrer. 
A Mísia retribuiu-lhe, muito depois, a amabilidade ou o favor. Postumamente. E com juros. Tem várias canções que fez ou mandou fazer com letra da Natália. Ao contrário de muitos que a bajulavam e que a esqueceram rapidamente. Mas talvez a Mísia não seja muito de incensar os que estão no poder. Talvez seja orgulhosa, como muitos de nós.

(Ontem conheci outro caso de censura, ao nível das artes plásticas. Depois conto).

Feriados, Fado e Fátima

Já que vão acabar com alguns feriados, nada como instituir outros, que tenham mais significado para as pessoas. E alguns podem ficar logo à sexta-feira para sempre.
O dia do fado, por exemplo, podia ser a primeira ou última sexta feira de ... um mês qualquer. Um que não tenha feriados. É claro que algumas pessoas, como uma que conheci, farão ponte de segunda a quinta, mas esses...
O dia do Fado, à sexta, seria seguido pelo fim de semana do fado, com muitos espectáculos, populares e outros, acompanhados por comidas bem regadas de vinhos portugueses, atraindo grande quantidade de turistas.
E, claro, o 13 de Maio também poderia ser feriado.
Conheço muitas pessoas que vão sempre a Fátima no 13 de Maio, algumas mesmo a pé, outras não vão com muita pena...
Não sou suspeita: só fui a Fátima uma vez, há cerca de 10 anos.
Nem sou grande apreciadora de fado. Mas, ao menos, estes feriados seriam realmente, para muitos, a comemoração da data.
Já temos um feriado para um poeta, nada como termos um para uma canção. Parece que Portugal é mesmo o único país cujo dia nacional é o dia (da morte) de um poeta. O que é bonito.
Quanto a tirar os feriados só porque alguns fazem ponte, isso é ridículo: passam a  meter atestados médicos  por uma semana ou mais. Acho bem que acabem com alguns, já muito obsoletos e os substituam por outros. Mas 15 de Agosto, esse é importante: é o italiano Ferragosto.

Em 2007 escrevi neste blogue um post para gozar com o facto de que ninguém sabe o que se comemora a 1 de Dezembro. Não seria o caso, se fosse algo que dissesse respeito à vida normal das pessoas.

Ver aqui:  Feriado de quê?

domingo, novembro 27, 2011

Fado: património imaterial da humanidade



O Fado é, a partir de hoje, património imaterial da humanidade. Levado para todo o mundo por Amália Rodrigues e, mais tarde por muitos outros cantores, modernizado por alguns, tornado cosmopolita, aqui o temos.




Recordando a inenarrável Amália, com o fado "Gaivota".
"Portugal é uma terra que canta o oceano", como disse uma amiga americana a respeito deste blogue. "Nádia's Blog ("Mysterious photographer who reminds us Portugal is an ocean-singing land)"AQUI
Esta parece-me ser a mais bela definição de fado que já li. E que não é só canção, pois há muitas maneiras de " entoar louvores e apelos ao grande oceano".

Porque o nosso sentimento de ausência, a nossa saudade vem da distância marítima, das grandes viagens nas imensas lonjuras oceânicas. 
Do sonho de atravessar a aventura dos mares para mais tarde desejar regressar para sempre à velha casa em ruínas. A ânsia do retorno impossível a um tempo perdido e ao espaço abandonado, na companhia de pessoas que já não existem.
Porque a vida é uma viagem em que constantemente nos despedimos de umas pessoas para, mais adiante, encontrarmos outras. Mesmo quando não há viagem, mas apenas passagem das horas. 
Mas nem todos se conformam com isso. E talvez o fado não seja conformista porque reclama contra o irreclamável. O destino. O Fatum.


Por mim, aprecio sobretudo a cantora Mísia, que foi precursora na modernização do fado. Modernizar a tradição? 
- YEEEEEEEEEEEEES! Please

sábado, novembro 26, 2011

Fil Arte Lisboa






Também muitas pessoas, incluindo eu, apreciaram a obra desta autora espanhola, que vai do fantástico ao fantasmático, ao mitilógico, à crítica irónica. Descubro sempre um autor novo que me agrada, agora foi esta. Amanhã tiro fotos melhores. 
Na Galeria Trindade, simpática Galeria do Porto.

Fil Arte Lisboa 2011




Ou talvez esta chame mais a atenção, por ser enorme, estar logo à entrada e, aparentemente, estar ainda inacabada. Em construção. Permanente?
De Pedro Zamith, intitulada"Urbicanda".
Apetece dizer assim: - "Chegue-se para lá! Dê-me um pincel! Também quero pintar a parede!" (A manta?)



Esta, sobre a condição feminina, também tem muita graça, acentuada pelo título, que segue em imagem.  
De facto, como havemos de nos vestir, nós, as mulheres, se não há grande coisa por onde escolher? Acabamos por andar todas de igual. Fardadas, digamos assim. Camufladas?

Fil Arte Lisboa 2011



Há muitas sobre a condição feminina, como esta de Cecília Paredes. O nome da autora será simmbólico? :)

Fil Arte Lisboa 2011









Ou estes, de Fátima Mendonça, também sobre a condição feminina, em que a mulher se disfarça, metaforicamente, de vários animais. Como  a pintora explica, em princípio de página.
Havi asempre muita gente a ver isto.

Fil Arte Lisboa 2011







A Fil Arte Lisboa tem sempre uma ou outra obra que chama particularmente a atenção. Este ano não teve nenhuma muito extravagante, mas havia sempre muita gente a ver esta, de Mabel Poblet.
Olhando de longe, parece feita de mosaicos, mas vendo de perto, constata-se que é constituída por pequenas películas fotográficas, com esta foto.
Pormenor: é o retrato da mulher do fotógrafo Alberto Korda, muito conhecido pelo famoso retrato de Che Guevara. É constituído  por retratos do próprio fotógrafo...


Mabel Poblet tem 25 anos e uma carreira ascensional.

sexta-feira, novembro 25, 2011

Mísia





Conheci a Mísia há muitos anos, quando esta grande cantora era ainda uma ilustre desconhecida. Era extravagante, esquisita. Cantava muito bem, mas à sua maneira. Tinha decidido cantar o fado. Como eu não gostava (ainda não gosto particularmente) do fado, disse-lhe que gostava muito de a ouvir cantar qualquer coisa e até nem me desagradava mesmo ouvi-la cantar o fado.
Nessa época, o fado era desconsiderado como algo de antiquado, ultrapassado, salazarista e quase "fascista". Entendi que não seria assim, exactamente. O fado foi aproveitado pelo salazarismo porque era algo de bom...
Mas não tão bom assim. Começou por ser machista, saudosista, antiquado, quase arcaico.
Musicalmente é muito interessante, tal como muitas outras canções europeias muito parecidas: melancólicas, dolentes, em que a voz ocupa a primazia. De facto, pouco importa o acompanhamento. A guitarra foi o que calhou, mas também pode ser outra coisa.
O fado é música, voz, sensualidade, melancolia. Mas isto é a canção europeia, por exemplo francesa, por exemplo italiana, napolitana, etc. Corpo. Sobretudo corpo. Sobretudo alma, a parte da alma que não consegue separar-se do corpo.
A Mísia continuou o seu percurso extravagante. Agradou a muitos europeus cultos. Desagradou a muitos portugueses que apreciam demasiado a "humildade", a "simplicidade", etc...
Tenho andado noutras ondas, mas, quando voltei a prestar atenção à Mísia, ela estava muito melhor ainda. Mais internacional. Mais cosmopolita. E já cantava, como eu teria gostado nessa época, muitas canções europeias: italianas, napolitanas, francesas, alemãs. 
Como diria o filósofo grego Sócrates:
"Não sou ateniense nem grego, mas sim um cidadão do mundo"
Neste caso, somos cidadãos da Europa. Da verdadeira Europa, do verdadeiro Mundo. Não do mundo dos economistas, não da Europa da Merkel... 
Somos cidadãos do mundo. E sobretudo, da Europa. Da grande Europa de Sócrates, que deu ao mundo a democracia, a república, a filosofia, a poesia, a tragédia, enfim, quase tudo. Mas não tudo. Somos cidadãos do mundo, para irmos buscar a toda a parte a parte melhor para o mundo.


A Mísia caba de publicar um novo disco, intitulado Senhora da Noite, com letras escritas, todas elas, por mulheres portuguesas.


VER AQUI

quinta-feira, novembro 24, 2011

Mulher condenada a 12 anos de prisão por ter sido violada

Uma mulher do Afeganistão, entre muitas outras na mesma situação, foi condenada a 12 anos de prisão por ter sido violada. A filha que resultou do acto encontra-se presa com a mãe. A afegã, de nome Gulnaz, tem duas hipóteses à escolha: ou cumpre a pena, ou casa com o agressor. Neste último caso, pode vir a ser morta pela sua própria família que desonrou, ou pela família do futuro marido, que também "desonrou"... 


Em que mundo vivemos?


VER AQUI


quarta-feira, novembro 23, 2011

Lisboa na publicidade



Vejam que lindo este anúncio do Audi 5 sobre Lisboa.
Podemos considerá-lo uma homenagem à cidade.
Também existe sobre outras cidades do mundo.

sábado, novembro 19, 2011

Adicionar aos favoritos

Existe esta página, que vale a pena conhecer e adicionar aos favoritos.
Tem a capa de todas as revistas e a primeira de todos os jornais que se publicam em Portugal. 
http://www.jornaiserevistas.com/

quarta-feira, novembro 16, 2011

Mudança de mentalidades: precisa-se

Talvez possamos considerar, se há destino e se a determinação existe, que toda esta corrupção política denunciada e entendida, serve para se realizar uma mudança de mentalidades. De futuro, não aceitaremos o mal. Este mal.

segunda-feira, novembro 14, 2011

Austeridade do OE, escandalosa injustiça

Cito aqui um artigo de opinião do economista António Amaro de Matos, 14 Novembro 2011, in
 Jornal de Negócios


"[...]Ao limitar ao sector público a medida relativa aos subsídios de férias e/ou de Natal repete-se uma injustiça que já vinha do governo anterior com a redução de 5%, ainda vigente. Descriminam-se novamente funcionários e reformados, com o pretexto de que se estão compensando privilégios. Argumento só válido para pessoal não qualificado, aliás os menos atingidos. 

Claro que, com a nova medida, contribui-se para reduzir o défice pela via “virtuosa” da redução da despesa. E como reduções salariais aplicadas a trabalhadores do sector privado não reduziriam a despesa pública, estes foram poupados, poupando-se, de caminho, os descontentes. 

Mas perdeu-se uma oportunidade para dar um impulso muito significativo, talvez decisivo, à competitividade da economia portuguesa. Ao mesmo tempo que se originou uma séria iniquidade. Seguindo-se pela via fiscal, porque não penso possível no sector privado reduzir unilateralmente salários ou pensões (será possível no Estado e no SEE?), seria possível fazer a mesma redução salarial também no sector privado. Seriam cerca de 2,5 mil milhões, já considerada a quebra de IRS, a abater à receita da TSU.
 

Ao mesmo tempo, mantinham-se as relações pré-existentes de níveis de poder aquisitivo entre classes de profissionais, conforme a sua área de actuação, pública ou privada, contribuindo para a aceitação e estabilidade social.

No sector público, podia obter-se a mesma redução “virtuosa” da despesa proposta no projecto de OE, consignando a receita obtida a outras despesas do Estado, por exemplo, à CGA. 

Desvalorizo o efeito na economia da redução dos consumos das famílias. Trata-se de um ajustamento que em grande parte será para ficar. Os consumos vinham sendo artificialmente empolados por facilidades de crédito, o qual, já se sabe, não é possível manter.

E quanto às comparações fáceis com a Grécia, que a comunicação social tem promovido entusiasmadamente, preferiria que ensaiássemos comparações com a Irlanda, que suportou corajosamente medidas duríssimas, viu o PIB descer 15% e está já a crescer."

A injustiça aludida no começo, que julgo escandalosa, especialmente se lhe estiver associada a consideração suspeitada de que o sector público não é base eleitoral dos partidos no Governo*, o que já vi insinuado, acresce a outras também difíceis de explicar. Por exemplo, quanto à chamada aos sacrifícios dos cidadãos com maiores rendimentos, especialmente dos que são objecto de taxas liberatórias. Comunicadas pelos bancos sem referência a titulares dos rendimentos. Sem que o Estado se preocupe por não ter sequer conhecimento de quem lhe paga esses impostos e a que rendimentos correspondem."


* Saliento, eu, Nadinha, esta suspeita de que ninguém tinha ouvido falar: Parece, de facto, consensual que os Governos socialistas meteram na função pública muitas pessoas, que serão potenciais votantes do PS. Por isso, este governo sacrifica-os.

Então e os outros? Os que sempre foram contra essa caricatura chamada Sócrates? E as pessoas honestas e decentes? Estão em desuso? Pois.

domingo, novembro 13, 2011

POORCOS (PIIGS) e outros hominídeos, ou Tio Patinhas versus Patacôncio

"Foi bonita a festa, pá". Da demissão do Berlusconi. E talvez da demisão do Papaqualquer coisa, substituído por um Papaoutracoisa.
Mas ambos foram substituídos por gente afecta aos mercados e aos bancos. Por escravos da finança. Gente de plástico.
Ou seja, "andamos de cavalo para burro", ou, pior ainda, de cavalo para hominídio dos mercados.
O grupo a que nos orgulhamos de pertencer, PIIGS, tradução POORCOS,* está na vanguarda do desastre.
O importante é que os bancos continuem a ter dinheiro, os muitos ricos a continuarem muito ricos, os remediados a tornarem-se pobres, os pobres a serem miseráveis.
Mas para que querem eles tanto dinheiro? Parece a rivalidade do Tio Patinhas versus Patacôncio. 
O que o Tio Patinhas tem, na sua caixa forte e sem qualquer utilidade para os outros, serve só para lhe dar prazer. Um dos seus prazeres é ter mais do que o Patacôncio. Guardado dentro do cofre.

Vamos ver aqui um vídeo que talvez nos esclareça sobre a situação que vivemos.


*PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha - Spain em inglês) - traduzido: POORCOS

sábado, novembro 12, 2011

Também há boas notícias

Aung San Suu Kyi, líder política da Birmânia que este presa vinte anos, apesar de ter ganho, entretanto o Nobel da Paz, agora em liberdade, vai provavelmente, participar nas próximas eleições.

Pertence-lhe a frase

"Use a sua liberdade para promover a nossa"

Este blogue muitas vezes se referiu a este problema, como se pode ver aqui, por exemplo

Ou clicando no nome, por baixo desta mensagem.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Livros Ultra-Light

Fui hoje comprar a revista Sábado a uma banca de jornais. Por aí, tudo normal. Uma outra cliente da banca dos jornais ofereceu-me 3 livros, no valor de 6 Euros e 40. Tinha-os comprado para a sua mulher-a-dias, a qual não os quis por já os ter repetidos. Poisou-os em cima dos jornais, eu fui logo "cheirá-los", ofereceu-mos.


São livros ultra-light, tão light que nem se encontram nas livrarias. Creio que correspondem às fotonovelas que se liam antes do 25 de Abril. Ou aos da Corin Tellado, mas mais marginais.


Comecei a ler um: a rapariga encontrou na praia um mocetão bronzeado, muito másculo, etc, apaixonaram-se um pelo outro... Começa assim, não me parece que acabe mal...


Como leitora compulsiva de tudo quanto seja legível em todas as línguas que eu conheça, mal posso esperar para me atirar à leitura. Depois conto. Se me lembrar de contar.


Como quando li duma assentada todos os livros da irmã Lúcia, oferecidos também por alguém que os recebeu e não os quis.
Ou uma caixa de sapatos cheia de cartas e de postais recebidos por uma freira que, mudando de terra, não poderia fazer-se acompanhar de nada, mas não os queria deitar fora... ofereceu-os a alguém que mos deu. Comoveu-me a delicadeza das emoções e das ofertas de comida entre freiras, porque as outras oferendas não se podem guardar...
Parece-me que fiz justiça às cartas, que nem podiam ser guardadas, nem ir para o lixo. Hei-de voltar a lê-las.

terça-feira, novembro 08, 2011

Acordo ortográfico: Conversor Ortográfico Lince e corrector automático Microsoft

Se você tem textos em português antigo, o mesmo que dizer, em português actual, que em breve se tornará antigo, pode convertê-los rapidamente em português moderno.
Basta importar da net o


Conversor Ortográfico Lince (clicar por cima).


Depois, é colocar lá o textos "antigos". O conversor altera a ortografia do texto todo, sem alterar a formatação.


Se pretende fazer correcção ortográfica com o novo acordo, é importar da net e do Microsoft a actualização.


Por exemplo, AQUI


P.S.: Se isto foi útil para vocês, escrevam assim, aqui: "Obrigado/a Nadinha!"
P.S.2: Constato que muita gente veio aqui, levou e nem disse "Obrigado/a Nadinha!" Nem "Água Vai!".

Acordo ortográfico

Existe na net um bom guia do acordo ortográfico.

Uma linguista, amiga da Nadinha, diz que está muito bom.

A tendência vai no sentido de acabar com, ou pelo menos reduzir, os acentos e os hífenes. Só o saber isto, já ajuda a entender o resto. E acabar de vez com as consoantes que não se pronunciam: há as que se pronunciam aqui e não no Brasil e vice-versa.
A regra, um pouco estrambólica é: se em Portugal se pronuncia, os portugueses são obrigados a escrever, mesmo que não seja obrigatório no Brasil, mesmo se for proibido para os brasileiros. 
Ninguém é perfeito, e os acordos também não o são...
Exemplo: a palavra facto em Portugal, fato no Brasil.

Curiosidade engraçada: a palavra Egito passa escrever-se assim e, por esse motivo, não pode ser pronunciada Egipto. Esta pronúncia era um pouco afetada, talvez pronúncia de tia. 

Ao obrigar todo o mundo a dizer assim, faz uma alteração fonética da língua portuguesa.

Aparentemente, e ao contrário do que se afirma nos princípios gerais e metodológicos, também se fazem alterações na morfologia e na semântica. Assim, se Maio e Primavera se escrevem agora com letra minúscula, imitando o francês, também é verdade que se está a estabelecer uma diferença de grau dentro dos nomes (antigos substantivos) próprios: passa a haver pelo menos dois tipos de nomes próprios: os que se escrevem com letra maiúscula e os outros. 
Esta distinção é baseada em que critérios? Só pode ser em critérios semânticos...


(P.S.: Se isto foi útil para vocês, escrevam assim, aqui: "Obrigado/a Nadinha!")
Vieram cá muitas pessoas ver isto e não escreveram "Obrigado/a Nadinha!", nem "Água Vai". 

segunda-feira, novembro 07, 2011

Quadrilha

Ninguém sabe de Duarte Lima? Estranho... talvez ande a estudar filosofia com o Sócrates.

Esta gente gostava tanto de se exibir, como é que desaparece assim, de repente?

domingo, novembro 06, 2011

OLÁ, JANITO. WELLCOME.

"Retalhos da Vida de" uma Setôra I

Uma amiga minha é professora, como vocês sabem, e conta-me às vezes algumas histórias, incluindo esta, de quando trabalhou no Algarve. Vou iniciar a série "Retalhos da Vida de" uma Setôra, que inclui episódios já narrados, neste blogue, mas com link para eles.. 

Eu tinha uma turma do ensino secundário, com opção de Desporto. Quase todos os alunos eram jogadores da Torralta, ganhavam bem, viviam em grupo, às 6 da manhã já andavam a correr e a saltar, às 8 e meia estavam na minha aula cheios de speed, enquanto eu morria de sono da noitada da véspera...
A Torralta obrigava-os a estudar, mas não a ter resultados. Podiam chumbar todos os anos, que tudo bem.

Havia duas raparigas na turma, muito aplicadas e sossegadas, que não tinham nada a ver com os outros e um moço pouco atlético, mas filho de uma advogada e política local, o pior de todos e que me ameaçava com a mãe e com as leis da mãe. As raparigas estavam à frente e eu tentava dar aulas para elas as duas, enquanto os outros se riam, se divertiam, etc...

Tudo corria horrendamente mal, até que eu tive uma queda de tensão e de glicémia, o que me acontece muito. Fiquei pálida, com os olhos descentrados, sentei-me.
- O que é que a setôra tem?
Pela primeira vez, ficaram todos calados a olhar para mim. Disse-lhes que não era grave. Mas que eu poderia desmaiar. 
- Bem, se eu desmaiar, não se assustem, estas duas meninas (as tais) ficam aqui, uma de cada lado da minha cadeira, para não me deixarem cair ao chão. Alguém que me vá buscar um café com muito açúcar. E deixem-me em paz, não chateiem. Daí a pouco, fico bem.

Saíram quase todos, as doces mocinhas ficaram ao meu lado, simpáticas e atentas. Não tardou muito, regressaram todos os rapazes. Cada um deles trazia um café quase compacto de tantas carradas de açúcar que lhe tinham deitado. Colocavam o café em cima da mesa e sentavam-se no seu lugar, a olhar para mim, muito atentos, com uma expressão muito preocupada. Como não aguentei aquela atenção inusitada, pedi-lhes que me levassem para a pastelaria mais próxima, onde todos me chamavam a "doutora do Cimbalino". Cimbalino era o termo que se usava no Norte do país (Portugal) para designar o café expresso, a máquina tinha a marca italiana La Cimbali. E ali fiquei até à aula seguinte, que fui dar. Nunca faltei a uma aula sem um forte motivo.

Um motivo muito forte, nessa época, foi que me sentia sozinha, desadaptada e esquisita. No Carnaval, meti um atestado quinta e sexta feira, para o ir passar ao Porto. Ou talvez mesmo à minha terra, não me lembro bem. Creio que já contei neste blogue a aventura do atestado, passado por um médico que nunca cheguei a ver e pela sua simpática esposa. Chamado Liberto Espinha. Deve estar neste blogue, mas não está indexado, como quase todos os primeiros posts.

Cenas dos próximos capítulos: "Os aluno miam..."

sábado, novembro 05, 2011

BURRO MÓRBIDO

BURRO MÓRBIDO

Ao escutar esta expressão na televisão e sem estar muito atenta, (não ligo muito à televisão), sou, obviamente, levada a pensar:

- O quê? BURROS MÓRBIDOS? Isso é coisa que não falta neste país, a começar por um tipo que nem conseguiu tirar um curso, (a não ser aos domingos), mas que conseguiu dar cabo da nossa economia, da nossas política, da nossa moral e que, estranhamente, está em liberdade. Não uma liberdade provisória, mas uma estranha liberdade de fazer tudo o que lhe apetece, incluindo gastar o erário publico dum país, apesar de ser um BURRO MÓRBIDO, etc...

Como sou um pouco distraída ou desatenta ( quanto não prestamos atenção a uma coisa é porque estamos a prestar atenção a outra) dou-me conta, de repente, de que estou a ver, sem lhe prestar atenção,  a Televisão Italiana. 

Um programa de Culinária. A RAI Uno tem programas giríssimos de culinária e gastronomia que aconselho vivamente, como por exemplo, "La prova del Cuoco" Sábado de manhã, ou mesmo "Linea Verde" Domingo de manhã, ambos ao fim da manhã.

Bem, desculpem, acho que me enganei. Percebi mal.
BURRO MÓRBIDO, em italiano, quer dizer manteiga (burro) mole (morbido)

É quase como a expresão italiana TASCA SINISTRA. Adivinhem o que quer dizer. Resposta: bolso (Tasca) esquerdo (Sinistro/a).

P.S.: (PS?): Nunca me passaria pela cabeça, sequer, chamar burros mórbidos ao que votaram no BURRO MÓRBIDO e que o reelegeram.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Civismo, Civilização, versus Medo

Alguns estudantes e turmas inteiras de alunos reflectem a sociedade portuguesa no seu pior.
Todos nós tivemos professores horríveis, uns que não sabiam nada, outros, ou os mesmos, que tinham um temperamento insuportável. Ainda os há, se bem que mais moderados nos danos que podem causar... pois já quase não existe a agressão física.
Os alunos que refiro, portam-se muitíssimo bem com professores horríveis e muitíssimo mal com os outros. Como consequência, os professores mais simpáticos e que mais seguem a pedagogia correcta, são os mais martirizados. Os que nada entendem disso nem querem entender, esses estão sempre bem. Reinam pelo terror.

Não é isso o que acontece, em geral, na sociedade portuguesa? Passa-se o sinal vermelho e o risco contínuo, conduz-se com excesso de velocidade e sob o efeito do álcool, mas, sob o efeito do medo, somos exemplares.

Há muitos anos atrás (provavelmente ainda agora), acontecia muito o seguinte:
Um tipo que ia a conduzir via um parente ou um amigo e fingia que o ia atropelar. Guinava para cima dele e, quando estava quase a colidir, guinava para outro lado ou metia travões a fundo. Esta manobra era de alto risco. Por isso aconteceu muitas vezes matarem os filhos, os pais, as esposas, as namoradas e os amigos. 
Sem culpa nenhuma! Coitadinhos! Estavam só a brincar...

Por essa altura, numa longa viagem em Marrocos, constatamos que o motorista fazia esta brincadeira sempre que encontrava grupos na beira da estrada (o que era raro). Mas quase todos fugiam a sete pés, mal viam aproximar-se uma viatura...

quinta-feira, novembro 03, 2011

Por favor, não me chamem anarquista. Nem nihilista. (Nadinha, mesmo)

Agora já entendo por que gostavam tanto do Sócrates: tinha tantas certezas, tantas seguranças, tanta confiança de que tudo ia correr bem, ele era tão bom que só poderia fazer tudo bem (excepto tirar um curso ao domingo, claro)... 


Este primeiro-ministro, pelo contrário, diz coisas como esta, que nos deixam aterrados:


“Não tenho assegurado o financiamento da economia portuguesa”


Também convinha ser um nadinha mais assertivo, criativo e crítico da MERKOSI (nome dado, e muito bem, ao duo  Merkel/ Sarkozy pelo político francês Cohen Bendit, um dos melhores deputados europeus, embora tenha, a seu tempo, feito a apologia da pedofilia, de forma inequívoca).


Ver Aqui, em francês, se não acreditam, não quero o vídeo no blogue


E são estes os nossos políticos europeus! nossos representantes europeus! Para onde nos leva esta cambada? Porque é que nós nos deixamos levar? E para onde, já agora?