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domingo, março 24, 2019

Condutora do Elevador da Glória despedida por desviar a quantia de 7,40 euros. E a justiça fez-se!



Como poderemos ler nesta notícia  (clicar por cima) , uma condutora do elevador da Glória (uma espécie de elétrico ascensional), em Lisboa, ousou receber a devolução de dois bilhetes que não foram usados, voltando a vendê-los a dois turistas pelo mesmo preço. 


Assim, cometeu o infame crime de desviar sete euros e 40 cêntimos (leram bem, sete euros e 40 cêntimos, os quais não ficaram para ela, ficaram apenas para quem os tinha comprado e não os usou). 



Sendo o nosso país (Portugal chamado) muitíssimo rigoroso com os dinheiros públicos, (qual Suíça? qual Suécia? países conhecidos pela corrupção), logo, aconteceu esta maravilha de justiça:




" foi despedida por revender a turistas dois bilhetes já vendidos. O Tribunal da Relação de Lisboa considerou o despedimento desproporcional em face da infração imputada à funcionária e anulou a decisão. Mas, há dias, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou a sanção, considerando válido o despedimento devido a "perda de confiança" da entidade empregadora na trabalhadora."


É assim. Há dois tipos de trabalhadores do estado: uns são aqueles que fazem tudo o que lhes apetece, desde roubarem o estado em milhões, a baldarem-se totalmente para o trabalho, os outros são os que morrem de medo de serem acusados de pequeníssimas falhas, falha que, neste caso, foi apenas a tentativa de resolver um problema dos utentes, uma boa vontade que deveria ser premiada. 

A avaliação dos trabalhadores, inventada por José Sócrates, veio facilitar a diferença entre estes dois tipos de trabalhadores. Como diz o ditado popular: 

" Quem manda pode." Mas há muitos que mandam... por causa da cor política, porque sabem dar graxa às chefias, porque são tão doentes que faltam ao trabalho durante 
meses, indo fazer praia para o estrangeiro, etc., enfim, muitas vezes são estes os avaliadores. 

Os outros obedecem, no terror.

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Será que os padres e cardeais portugueses viraram humoristas?



Será que os padres e cardeais portugueses viraram humoristas?

Para suavizar a ideia do Papa Francisco de que os divorciados se podem recusar e mesmo assim comungar, afirma o nosso Cardeal Patriarca que devem fazer continência.

Continência como fazem os militares quando veem outro militar? Bater com  mão na testa?

Isto faz lembrar um antigo arcebispo de Braga, que nos fazia rir em horário nobre, a respeito do filme "O Império dos Sentidos":

"Como a do arcebispo de Braga, D. Eurico Nogueira: "Aprendi mais em meia-hora a ver O Império dos Sentidos do que em 67 anos de vida", disse ao Expresso, confessando ter tido "horríveis vómitos" após o visionamento. 

Se eu soubesse desenhar bem, desenharia assim a situação.

Autora do desenho: Nadinha

quinta-feira, setembro 21, 2017

"Pai Filho Espirito Santo, foge bicho pr'àquele canto!".


Uma amiga madeirense conta que, quando o cruzeiro gay chegou à Madeira, gerando grande agitação, muitas pessoas madeirenses ficaram chocadas, mas uma senhora reagiu assim, para citar mas palavras da minha amiga Valéria Mendez: 

"O mais cómico foi uma triste mulher que, ao ver as manifestações de carinho de dois dos viajantes, olhou para eles, benzeu-se três vezes e disse: "Pai Filho Espirito Santo, foge bicho pr'àquele canto!".



Curiosa oração! Será que resulta para ratos?



Aqui em Lisboa há muitos, uma praga de ratos, da qual não se fala, bem como uma praga de baratas, da qual muito menos se fala.


Era bom que os políticos agissem, ou prometessem qualquer coisa, mas não têm feito nada, que se saiba, a esse respeito. Até porque é impopular lutar contra animaizinhos.

Vou recomendar uma oração coletiva à Catarina Martins: 
"Pai Filho Espirito Santo, foge bicho pr'àquele canto!". 

E manifestação coletiva, claro.

Quanto ao Medina, se soubesse esta milagrosa oração, já teria resolvido o problema.
Há bués!

segunda-feira, julho 03, 2017

Tancos ou a submissão - Parte II



Diz a imprensa espanhola que houve conivência de pessoas de Tancos, no roubo das munições.


Presumo eu, mas talvez esteja errada, que as criaturas que abriram a porta aos ladrões e lhes disseram onde estavam as coisas que queriam e que impediram que houvesse rondas durante 20 horas, terão entrado para tropa antes de este ministro ter tomado posse. 


Digo eu... e assim não vejo motivo para se demitir o ministro. Vejo mais motivo para que osculados queiram demitir o ministro...

Ou terão sido os recrutas a abrir as portas?

Protestos de tantos, deposição das espadas



Agora vão roubar as espadas aos tipos de Tancos.
Vão depô-las não sei aonde, mas o melhor seria pedirem às esposas que as escondam debaixo da cama.

Será que não têm o sentido do ridículo? quais espadas? Para que lhes servem?

domingo, julho 02, 2017

Assaltar o paiol de tantos? Não acredito!

Não entendi porque é que nós, portugueses, deveríamos andar a fazer aquelas rondas noturnas no paiol de Tancos, todos os dias.

Toda a gente sabe que é muito perigoso atacar um quartel, com tantos militares a dormir lá dentro, capitães, coronéis, generais e isso tudo
É claro que ninguém nunca se lembraria de roubar um paiol. Ou será que lembraria?

Mas parece que a culpa é da Catarina Martins, do Jerónimo de Sousa e do António Costa. 
Será que estavam todos a dormir? Ai que preguiçosos!

quinta-feira, outubro 06, 2016

Sebastianismos... Ou portuguesinhismos


Não sei se já vos contei isto. Tive uma amiga, não muito inteligente, mas identificando-se muito com o povinho português, do qual sentia orgulho, ódio e vergonha, dependendo do caso que estivesse na ribalta. 
Tinha um desses cursos médios que davam equivalência ao bacharelato e o bacharelato dava equivalência à licenciatura, mais ou menos, digamos assim...  sem se poderem comparar nem vagamente com um curso superior a sério de há uns 30 ou 40 ano.
Tinha um ótimo emprego, conseguido por cunhas da igreja, a qual não não frequentava. 
Um dia contou-me que estava encarregada de fechar as portas do palácio em que trabalhava, com umas amigas de trabalho. Contou que um senhor coronel tinha tido o costume de fechar as janelas e, desde que tinha morrido, ela e as amigas continuavam a ouvir bater as portadas das janelas do andar de cima.
- Porquê? - perguntei.
- É o senhor coronel. Claro.
Expliquei-lhe o óbvio: com o trabalho não se brinca e ela não podia fechar o palácio sem ver o que se passava no andar de cima:
- É o senhor coronel! 
Um domingo em que estávamos juntas, a minha amiga recebeu um telefonema aflito: o senhor coronel (um vivo) tinha ficado trancado dentro do palácio, sexta e sábado e era preciso ir abrir-lhe a porta. 
- Mas ele não chamou por vocês, quando viu que e ficava trancado lá dentro? - Perguntei.
- Chamou. - Foi a resposta.
- Então e vocês não ouviram? - Pergunto, estupefacta.

Resposta envergonhada: ouvimos....

terça-feira, janeiro 12, 2016

Maria de Belém e o seu humor involuntário: - ide comer para a vossa terra

Nesta maravilhosa campanha eleitoral, são inúmeros os momentos de humor involuntário.
É o caso da ideia-chave da campanha da Maria de Belém, cujo nome é, já de si, objeto de trocadilho, a Belém quer ir para Belém, a Maria de Belém quem será, talvez a Nossa Senhora, etc...
A ideia principal da campanha e, aliás, a ideia única da campanha, essa sim, é brilhante.
Quando cá vierem chefes de Estado, como a Merkel ou o Obama, por exemplo, em vez de lhes oferecermos grandes banquetes, a presidenta irá levá-los a almoçar e jantar a lares de terceira idade. 

Em vez de grandes manjares regados com os melhores vinhos, irá oferecerl-lhes umas batatinhas cozidas com pescada congelada cozida, um compito de água da torneira, servida numa caneca de plástico e um caldinho de legumes numa malga de folha.

A Merkel e o Obama não correm o risco de fazerem segunda visita e, se passarem palavra, voltaremos a ficar orgulhosamente sós, como no tempo de Salazar.

Ouço dizer que em certas regiões do país, is autóctones comem com o prato dentro de uma gaveta, para não serem obrigados a oferecer as visitas, as quais têm o hábito de aparecer sempre a hora das refeições.

A Maria d Belém sempre é um pouco menos avarenta, mas inscreve-se nesta tradição tão portuguesa de não dar nada a ninguém.
Que vão comer para a terra deles!
- Ide comer para a vossa terra! - afirmará, com aquela vozita "esganiçada".


quinta-feira, março 20, 2014

Pescada do Nilo


- Olhe, quero pescada do Nilo!
- Ó querida - responde a vendedora -  no Nilo não há pescada. O Nilo é um rio e...
- Então eu sempre levei pescada do Nilo e agora o Nilo é um rio e não há pescada do Nilo aqui no Pingo Doce?!
- Ó querida, não seria pescada do Chile?
- Ah, pois, deve ser, Nilo, Chile, sei lá, é tudo a mesma coisa.



E ainda nos queixamos de que muitos estrangeiros não sabem o que é Portugal? E muito menos onde fica? 

- Portugal? What is that? - perguntaram-me a mim várias vezes.


A propósito: creio que as empregadas do Pingo Doce são agora obrigadas a tratar as clientes por "querida".




segunda-feira, julho 29, 2013

quarta-feira, maio 15, 2013

Nossa Senhora de Fátima desmente qualquer ligação à Troika

A nossa Senhora de Fátima terá negado terminantemente qualquer interferência nas decisões da Troika e ainda terá exclamado:


- Vocês não me andem para aí a chatear com essas intrigas da política! Já basta o que basta! OK?! 

De facto, a própria palavra Troika remete para o comunismo da Rússia, por ser uma palavra russa, sendo que Nossa Senhora de Fátima terá, alegadamente, acabado com o comunismo na Rússia.
Sobre este assunto, NSF declarou:

- Não faço declarações.

P.S. (Ou seja, post scriptum. Não confundir com PS): Esta notícia tem todos os indícios de ser falsa, de ser esotérica, ou mesmo, de participar da teoria da conspiração. Cuidado com notícias destas!).


A propósito de

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

Fadistas e fadistas. "Esse mundo de fadistas, de faias"

Alguns fadistas, no pior sentido da palavra, (não quer dizer que não cantem bem), andam por aí, no Facebook, a defender este inenarrável governo.

Não admira. Também é este inenarrável governo que os sustenta. Que promove o faduncho do coitadinho. E os outros inenarráveis governos que temos tido.

E o fado, na pior aceção da palavra, é isso mesmo:

"Oh, como eu sou infeliz por ter nascido póóóoóbre!!! Tchum, tchum, tchum tchum!"
"E a minha mãããããe era uma meretriz e o meu pááái era um coveiro e também era arruaceiro e também era um pantomineiro de fáááca na liiiga!" Tchum, tchum, tchum tchum!"

Tudo isto vem a propósito da Grândola: ainda há quem se aflija com uma canção da revolução anterior?
Então, esperem pelas próximas. Fadistas que acham mal cantar a Grândola aos políticos e esses e outros até acham mal as manifestações contra o Relvas... 

As verdadeiras fadistas, as pessoas que nos podem representar enquanto povo, essas não estão com o sistema, essas não têm medo da Grândola e até a cantam.

Que me desculpem os fadistas homens. Deve haver, mas ainda não conheço nenhum homem fadista que não seja "fadista" - o que, no tempo de Eça de Queirós e, para citar as suas palavras , "Esse mundo de fadistas, de faias"


Pois, o fado pode também ser protagonista do humor involuntário, vulgo ridículo.


Vejamos, as próprias palavras de Eça de Queirós, em Os Maias:

"Falou-se logo do crime da Mouraria, drama fadista que impressionava Lisboa, uma rapariga com o ventre rasgado à navalha por uma companheira, vindo morrer na rua em camisa, dois faias esfaqueando-se, toda uma viela em sangue - uma sarrabulhada como disse o Cohen, sorrindo e provando o Bucelas.


Dâmaso teve a satisfação de poder dar detalhes; conhecera a rapariga, a que dera as facadas, quando ela era amante do visconde da Ermidinha... Se era bonita? Muito bonita. Umas mãos de duquesa... E como aquilo cantava o fado! O pior era que mesmo no tempo do visconde, quando ela era chic, já se empiteirava... E o visconde, honra lhe seja, nunca lhe perdera a amizade; respeitava-a, mesmo depois de casado ía vê-la, e tinha-lhe prometido que se ela quisesse deixar o fado lhe punha uma confeitaria para os lados da Sé. Mas ela não queria. Gostava daquilo, do Bairro Alto, dos cafés de lepes, dos chulos...

Esse mundo de fadistas, de faias (*), parecia a Carlos merecer um estudo, um romance... Isto levou logo a falar-se do Assomoir, de Zola e do realismo: - e o Alencar imediatamente, limpando os bigodes dos pingos de sopa, suplicou que se não discutisse, à hora asseada do jantar, essa literatura latrinaria. Ali todos eram homens de asseio, de sala, hein? Então, que se não mencionasse o excremento!"



(*) - [Antigo, Depreciativo]  Indivíduo considerado de baixa condição, desordeiro ou brigão, que frequentava tabernas, tinha modos e falar especiais, e costumava, nos seus folgares, cantar e tocar o fado. = FADISTA 

(in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)


sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Mais humor involuntário: vulgo: ridículo

Mais um caso de humor involuntário: subir os preços resolve o problema dos desesperados. 

Sabendo nós que a principal razão do desespero é a falta de dinheiro! E a excessiva abundância de dinheiro nos outros, devido à corrupção!

Burros! Chaboucos! Tamancos!


DGS quer restrições à venda de álcool para ajudar a prevenir suicídios.

(Lendo o texto, a principal medida é subir o preço das bebidas.)

É necessário ter um QI maravilhoso para tirar conclusões destas! Estes tempos que vivemos proliferam na estupidez, pelo que nunca houve tanto assunto para este blogue.

quinta-feira, janeiro 31, 2013

English as she is spoke

English as she is spoke.

É o título de um livro escrito por portugueses que não sabiam inglês, para ensinar inglês a quem não soubesse inglês e (mal) falasse português.


Ficou de tal modo mal feito, que é o exemplo acabado do chamado HUMOR INVOLUNTÁRIO, ou seja, é ridículo, ou cómicio, sem intenção. Este conceito nem existe em língua portuguesa.



Nós somos cómicos ou ridículos, na maior ingenuidade...




Publicado em 1955 pelo autor pedro carolino, merece este comentário, de Mark Twain:

 “Nobody can add to the absurdity of this book, nobody can imitate it successfully, nobody can hope to produce its fellow; it is perfect.” 

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Mais humor involuntário





Ai sim? Um tipo que se recusou aceitar politicamente a lei do "Enriquecimento ilícito", impedindo muitas criaturas do PS de irem parar à cadeia.

Há-de ir longe. Bué!

Enquanto os portugueses não estiverem todos a dormir que nem pedras!

Creio mesmo que não estão.

Com tanto problema e com tanta notícia perturbadora e aflitiva, quem consegue dormir?


terça-feira, janeiro 29, 2013

Peste Grisalha e Malas Chanel: Humoristas?

Uma criatura, dessas da política, deputado do PSD, referiu a "Peste Grisalha" como a peste que grassa em Portugal.

É notícia nos jornais que vai haver baixas de impostos para os reformados da União Europreia que queiram vir viver para cá. Ou seja, vamos importar mais "peste grisalha".

VER AQUI: IRS mais baixo. Governo quer atrair reformados estrangeiros

São casos muito engraçados de humor involuntário.



Receita da Nadinha para combater a peste grisalha: que o Estade subsidie os produtos para pintar sos cabelos ou as idas à Queirós do Vale para esse fim!!! Não acham??? E as malas Chanel, claro.

sexta-feira, julho 18, 2008

De como os erros podem ser giros

Em resposta ao que pedi no post anterior, a Inteb enviou-me isto.

"Factura de um santeiro olhanense

"Nota: esta é uma factura de um santeiro de Olhão, chamado Joaquim Manuel Alfarrobinha, apresentada em 1853 por um conserto nas capelas do Bom Jesus de Braga, hoje arquivada na Confraria do Bom Jesus do Monte, naquela cidade."

"Por corrigir os Dez Mandamentos, embelezar o Sumo Sacerdote e mudar-lhe as fitas 170 réis
Um galo novo para S. Pedro e pintar-lhe a crista . 80 réis
Dourar e pôr penas novas na asa do Anjo da Guarda 120 réis
Lavar o criado do Sumo Sacerdote e pintar-lhe as suíças 160 réis
Tirar as nódoas ao filho de Tobias 95 réis
Uns brincos novos para a filha do Abraão .95 réis
Avivar as chamas ao Inferno, pôr um rabo novo ao diabo e fazer vários consertos aos condenados.185 réis
Fazer um menino ao colo da Senhora 210 réis
Renovar o Céu, arranjar as estrelas e lavar a Lua 130 réis
Retocar o Purgatório e pôr-lhe almas novas 355 réis
Compor o fato e a cabeleira de Herodes 35 réis
Meter uma pedra na funda de David, engrossar a cabeleira de Tobias e alargar as pernas de Saul.95 réis
Adornar a Arca de Noé, compor a burrica do filho pródigo e limpar a orelha esquerda de S. Tinoco.152 réis
Pregar uma estrela que caiu ao pé do coro 23 réis
Umas botas novas para S. Miguel e limpar-lhe a espada.255 réis
Limpar as unhas e pôr os cornos ao Diabo.185 réis
Total = 2.496 réis"

terça-feira, julho 15, 2008

Que engraçado. LOL

Não resisto a reproduzir aqui um texto autêntico escrito por volta do ano de 1910 que encontrei no blogue Ad Libitum. É um anúncio a um cirurgião e faz-tudo.


Ainda dizem que os jovens agora não sabem escrever. De notar que um dos problemas da escrita é a falta de lógica dos relacionamentos e enumerações. Chama-se actualmente a isto (falta de) coesão textual, coesão lexical, interfrásica, etc. Mas este também dava aulas de escrita...

"Eu, Manuel Ferreira, surgião
Eu, Manuel Ferreira, surgião, rigedor, comerciante e agente de enterros. Respeitosamente informa as senhoras e cavalheiros que tira dentes sem esperar um minuto, apelica cataplasmas e salapismos a baixo preço, e vixas a 20 réis cada, garantidas. Vende pelumas, cordas, corta calos, joanetos, (br)aços partidos, tusquia burros uma vez por mez, e trata das unhas ao ano. Amolla facas e tizoiras, apitos a 10 réis, castiçais, fregideiras e outros instrumentos musicais a preços reduzidos. Ensina gramática e discursos de maneiras finas, acim como cathecysmo e oretographia, canto e danças, jogos de suciedade e bordados. Perfumes de todas as qualidades. Como os tempos vão maus, pesso licença para dizer que comessei também a vender galinhas, lans, porcos e outra criação. Camisolas, lenços, ratueiras, enchadas, pás, pregos, tejolos, carnes, chourissos e outras ferramentas (d)e jardim e lavoira, cirragos, pitrol, augardente e outros materiais inflamáveis. Hortaliças, frutas, músicas, lavatórios, pedras de amolar, sementes e loiças e manteiga de vaca e de porco.Tenho um grande çurtimento de tapetes, cerveja, velas e phosphoros, e outras conservas como tintas, sabão, vinagre, compro e vendo trapos e ferros velhos, chumbo e latão. Ovos frescos meus, paçaros de canto como moxos, jumentos, piruns, grilos e deposito de vinhos da minha lavra. Tualhas, cobertores e todas as qualidades de roupas. Ensino jiographia, aritmetica, jimnástica e outras chinezisses."

"(O texto deste prospecto histórico, mandado imprimir e distribuir por volta de 1910 pelo regedor da freguesia da Sertã, Manuel Ferreira, foi também publicado num número de 1960 da Revista da Polícia Portuguesa)."

quarta-feira, maio 02, 2007

Quero ir para casa! Por favor!!!!!!!

-Quero ir para casa!
-Quero ir para casa! Por favor!!!!!!!
-Oh, ainda falta tanto tempo!!!!!!




Este é o grito mudo que se ouve por toda a parte nesta cidade, se escutarmos com atenção.
Nunca compreendi porquê e por isso tenho investigado este enigma: porque é que toda a gente quer ir para casa?! E depressa? Que mistério é este? Não há nesta cidade lugares melhores? Mais variados, mais interessantes, mais artísticos? Lugares onde se pode conviver com os outros? Ou pelo menos vê-los?!
Aqui vai o resultado das minhas pesquisas.


Jovem de rua: Lá o haver, há. Mas é que eu, nesses lugares, não posso estar deitado!
Nadinha: Ah! Pois.
Homem adulto de rua/ Mulher adulta de rua: O haver há, e eue até gosto de ir a outros sítios, mas é que nesses sítios eu não posso ir ao frigorífico e comer, sempre que me apetecer! De graça, percebe?
Nadinha: Ah! Pois. Está bem...




Hoje no ginásio ouvi por acaso um diálogo que me esclareceu:
-Ó tia, o meu chinelo está virado ao contrário! Não te importas de o virar para cima e de o pôr mais para aqui, ao pé do meu pé? (voz arrastada e monocórdica, como a de alguém que já nada tem a esperar da vida).
- Vira tu! Oha que tu tens cada uma! (voz igualmente arrastada e monocórdica, ambas gordinhas).
- E eu é que tenho que fazer sempre tudo?!
Nadinha: Ai que preguiça! (Fiz mal. O investigador não deve influenciar o objecto de estudo.)
E a rapariga começou a contar, lamentosa, na sua voz de cansaço existencial, a mim e à tia:


- Estava eu ontem muito sossegada a ver televisão e o meu irmão diz-me assim:
- Ó mana, põe a televisão mais baixo, se fazes favor.
- E aí eu disse:
- Pelo amor de Deus, mano! O comando está aos teus pés!
- Eu sei, mana, mas está mais perto da tua mão do que da minha. Por favor!
- E eu é que tenho que fazer tudo?! Tu estás há horas deitado no sofá, e o comando está no teu sofá!
- Mas tu também estás há horas deitada no sofá e o comando está mais perto de ti. Basta estenderes um braço! Anda lá!
- Pelo amor de Deus! Eu é que tenho que fazer tudo? Ó tia, não acha que eu tive razão?


Também me perguntou a mim, mas eu estva com a boca tão aberta de espanto, que nem consegui responder e perguntar quanto mais tempo ficaram a ouvir televisão em altos berros e a discutir.




Acho que agora já percebi porque é que todo o mundo quer ir para casa.