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domingo, outubro 23, 2011

Palhaço Rico

O palhaço rico atravessa a pista do circo ou o écran da televisão
(O que é agora a mesma coisa)
E confessa:

"Eu confesso!" "Não, eu não confesso!
Antes direi, por mim, a verdade relativa:
Perdi a virtude, a honestidade, a fé...
Quem as não perde?

Com este dinheiro que ganhei, pude comprar muitas coisas
E todos me admiram por eu ter muitas coisas

Sou rico! Sou um palhaço... Que importa?
Todos se riem de mim, mas todos me admiram, no fundo.

Tanto foi o que perdi, pobre de mim...
Ninguém me ama, todos me desprezam
Fiz aquilo que todos fazem, mas muito melhor:
Entre os palhaços ricos, há-os muito menos ricos do que eu...

Vejam estas coisas que eu tenho, eu tenho tantas coisas:
Anéis, jóias, carros, casas, barcos, jardins,
Tudo isto ganhei com o suor do meu rosto,
Com a vergonha da minha cara, que perdi.

Se é de ouro falso que tudo em mim rebrilha
Que importa?
Eu tenho muitas coisas, tenho tudo o que é preciso
E muito mais

Sonhar, já não sonho a não ser a dormir
Realizei todos os meus sonhos... essa é a parte chata da questão

O que posso desejar ainda, me perguntareis vós:
Ser mais rico e mais palhaço ainda
Fazer rir toda a gente e mostrar as minhas coisas

Fazer rir às gargalhadas, para sempre
E chorar por dentro...
(Os palhaços também choram, sabiam?)
Porque perderam a ilusão e o sonho,
Porque todas as coisas são demasiado coisas e envelhecem

E existirão todas elas depois de mim, pertencendo a outros
Eu, pobre palhaço rico, chorarei então por dentro e por fora,
Pois já nada me pertence:

Tudo o que eu sou, comprei.
Tudo o que poderia ter sido, vendi.
Tudo o  que não fui, o que poderia ter sido... esbanjei.


             Graciete Nobre, Lisboa, Fevereiro de 97

(Outubro de 2014: Escrevi este poema em 2011 e detesto-o. Mas não o apago, porque cada vez é mais verdadeiro.)

quarta-feira, março 09, 2011

Agradeço aos novos seguidores deste blogue. Sejam bem-vindos. A vossa presença aqui vai inspirar-me e levar-me a fazer diferente.

sábado, janeiro 01, 2011

Aniversário do blogue Terra Imunda


Fogo de Artifício em Lisboa, hoje


Este blogue faz hoje cinco anos. 
Quando eu era muito jovem, ajudei a fundar, com os meus amigos, um jornal regional na pequena terra onde nasci. Durante vários anos após esse início, fui criticada porque nunca escrevi uma linha nesse jornal. E até hoje. 
A minha resposta era: - mas que tenho eu a dizer às pessoas desta terra, se o meu maior sonho, quando cá vivia, era fugir a sete pés para outras paragens?
Lembro-me disto agora, porque nunca me faltou assunto para estes dois blogues. A prova é que, só este, tem cerca de 1250 postagens, fora as muitas que apaguei por só me parecerem relevantes no momento em que foram escritas. Dessa terra, só três pessoas lêem os meus blogues: duas familiares e uma amiga que vive em França. 
É caso para repetir a célebre frase-título de Sartre: "Escrever para quê, para quem?"
A resposta neste caso é simples: para pessoas de Portugal (sobretudo Lisboa) e do Brasil, sendo os meus "maiores fãs"ou "melhores fregueses"  :)  completamente desconhecidos, residentes nos Estados Unidos. Que lêem os meus posts muito mais vezes do que eu.
Sim, deixámos de viver num lugar específico, na medida em que só lá estamos fisicamente. Hoje não me importaria de viver numa terra pequena... mas perto de um grande centro, claro. Lá chegaremos, a viver numa aldeia remota, sentindo-nos na crista da onda...


Com o blogue acabei também por descobrir a fotografia, pois não me parecia interessante tirar fotografias     sem as mostrar. Podiam ser melhores, pois não estudei técnicas e não quero andar carregada com uma máquina enorme, mas algumas não são más, acho eu. Hoje mesmo criei um álbum no Flickr, chamado Navegações - clicar para ver


Feliz Ano Novo para todos e muito especialmente para os meus "fregueses" dos Estados Unidos

sexta-feira, novembro 26, 2010

Revista Triplov

A Revista Triplov publicou online duas das minhas peças de teatro.
Espero que se riam com  a comédia O Alarme
VER AQUI
e procurar por ordem alfabética no G. Não é no N de Nadinha.
Leiam também os outros artigos da Revista.

sexta-feira, junho 11, 2010

Poemas

Acabei de publicar dois poemas meus no Triplo V e deve sair uma minha peça de teatro no próximo número da revista Triplo V