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quarta-feira, outubro 24, 2018

Brandos costumes portugueses

Já contei isto aqui, mas vou contar outra vez.
Quando me mudei para Campo de Ourique, há uns 17 anos, um dia ia a caminhar na rua, muito tranquila e satisfeita, como gosto de fazer e noto que um enorme polícia, do tamanho de um armário de arquivos, daqueles grandes, altos e largos, se dirige a mim. Enquanto caminho, vou pensando: - eu não fiz nada, o que é que este polícia me quer? Tinha vendido há pouco tempo o único automóvel que possuí, por manifesta falta de vocação automobilística , como o tipo continuava a aproximar-se na minha direção, só pude concluir que tinha errado qualquer detalhe dessa venda. Fingi que não o via,  mas de repente o tipo pára, mais próximo de mim do que o aceitável. Páro também e olho para ele. 
Abre os enormes braços para me abraçar e diz:
- Olá Setôra! (Para os brasileiros e quejandos, isto quer dizer: - Olá professora!").
Ficámos a conversar, tinha sido meu aluno, estava feliz por me ter entre as pessoas que deveria proteger, mas foi confessando que gostava mais de trabalhar nos subúrbios.
- Ó setôra, é que eu adoro bater nos pretos. Até aprendi crioulo para perceber o que eles dizem uns para os outros. Gosto muito deles, eles sabem disso, a sério, setôra, adoro os pretos... eu até falo a língua deles!  etc...

Ninguém nunca fala destas mentalidade nem destas práticas. O não falar de nada que seja discutível ou embaraçoso é fruto dos nossos brandos costumes.

quinta-feira, março 29, 2018

Olhe, eu tenho um livro, mas é um livro de receitas de cozinha...


-

- Olhe, explique-me como é que eu faço para levar um livro destes.
- Traga um dos seus e leve um destes
- Pode ser um qualquer?
- Sim.
- Sabe, eu tenho um livro.
- Ai tem?
- Tenho, tenho. Mas é um livro de receitas de cozinha.
- Ai sim?
- Sim, sim. Acha que serve para eu trazer?
- Serve.
- E eu posso trazer um livro de receitas de cozinha e levar um desses?
- Pode. Muita gente gosta de livros de culinária. Mas também pode não trazer nenhum. Leva um destes e depois devolve.
- E se eu levar livros e não trouxer nenhum?
- Pode levar vários livros e não trazer nenhum. Mas se todo fizerem assim, isto deixa de ter livros.
- Ah1 e quem é que controla isto?
- Ninguém controla.
- Então adeus. Eu vou pensar!


Oh, quem me dera ter em casa apenas um livro. E que fosse um livro de receitas de cozinha.

Bem, de cada vez que vou a esta cabine e vou muitas vezes, encontro sempre livros novos interessantes. Inesperados e invulgares.

sexta-feira, março 16, 2018

Estamos a precisar de um Eça de Queirós, um daqueles muito chatos!

Se Eça de Queirós exagerou na critica à sociedade portuguesa, elogiando sempre muitíssimo, por contraste, qualquer criatura ou qualquer evento inglês, nem mesmo esse escritor teria sido capaz de inventar histórias como esta.

Enquanto uns portugueses dão do pouco que têm para ajudar as vítimas dos incêndios, outros, não poucos, tentam aproveitar-se da tragédia para ganharem um dinheirinho.

Como a minha mãe dizia, são o Xico Lamúrias. O Xico Lamúrias fica sempre a ganhar sobre os estóicos...
Não ter dizer que não aconteça noutros países, mas se calhar há penas mais pesadas em alguns para quem se arma em mártir, nestes casos.

Ver esta notícia

"Segundo fonte do ministério, na maioria dos casos, estão em causa as candidaturas para quem sofreu prejuízos entre os mil e os cinco mil euros. Uma das situações mais comuns detectadas, por exemplo, foi a apresentação da mesma candidatura, para o mesmo terreno, por diferentes titulares e/ou a diferentes medidas.
Além disso, houve também quem declarasse danos em construções que já se encontravam abandonadas ou em ruínas antes da ocorrência dos incêndios e que registrasse danos superiores aos realmente sofridos."

Chatos, neste caso, não por ser maçador, que não é nada, mas por ser excessivo na crítica.


sexta-feira, março 02, 2018

Pobres dos pobres

Eu sempre o soube e sempre o disse, mas a sociedade portuguesa anda a dormir: as pessoas carenciadas, seja económica, psicológica ou socialmente, não têm qualquer poder de reivindicação para exigirem os seus direitos. A honestidade é mais consistente quando se tem medo das consequências.

Descobre-se agora tanta desonestidade nas organizações de "caridade", encoberta até agora pela massa acrítica do povo português
Caridade, sobretudo, para os chefes das organizações... que são os mais beneficiados.
E ficamos muito tristes ao lermos, nas notícias, os nomes, aparentemente ingénuos das organizações: o Sonho, a Joaninha os Pirilampos...

Ver aqui, por exemplo

Não é só a gestão da 'O Sonho' que está sob suspeita. Também as IPSS 'Os “Pirilampos' e 'A Joaninha' estão a ser investigadas


Recordando outra vez Guerra Junqueiro e a romântica miséria


OS POBREZINHOS

Pobres de pobres são pobrezinhos,
Almas sem lares, aves sem ninho...

Passam em bandos, em alcateias,
Pelas herdades, pelas aldeias.

É em Novembro, rugem procelas...
Deus nos acuda, nos livre delas!

Vêm por desertos, por estevais,
Mantas aos ombros, grandes bornais.

Como farrapos, coisas sombrias,
Trapos levados nas ventanias...

Filhos de Cristo, filhos de Adão,
Buscam no mundo côdeas de pão!

Há-os ceguinhos, em treva densa,
D’olhos fechados desde nascença

Há-os com f’ridas esburacadas,
Roxas de lírios, já gangrenadas.

Uns de voz rouca, grandes bordões,
Quem sabe lá se serão ladrões!...

Outros humildes, riso magoado,
Lembram Jesus que ande disfarçado...

Enjeitadinhos, rotos, sem pão,
Tremem maleitas d’olhos no chão...

Campos e vinhas!... hortas com flores!...
Ai, que ditosos os lavradores!

Olha, fumegam tectos e lares...
Fumo tão lindo!... branco nos ares!...

Batem às portas, erguem-se as mães,
Choram meninos, ladram os cães...

Rezam e cantam, levam a esmola,
Vinho no bucho, pão na sacola.

Fruto da horta, caldo ou toucinho,
Dão sempre os pobres a um pobrezinho.

Um que tem chagas, velho coitado,
Quer ligaduras ou mel-rosado.

Outro, promessa feita a Maria,
Deitam-lhe azeite na almotolia.

Pelos alpendres, pelos currais,
Dormem deitados como animais.

Em caravanas, em alcateias,
Vão por herdades, vão por aldeias...

Sabem cantigas, oraçõezinhas,
Contos d’estrelas, rei e rainhas....

Choram cantando, penam rezando,
Ai, só a morte sabe até quando!

Mas no outro mundo Deus lhes prepara
Leito o mais alvo, ceia a mais rara...

Os pés doridos lhos lavarão
Santos e santas, com devoção!

Para lavá-los perfumaria
Em gomil d’ouro, d’ouro a bacia,

E embalsamados, transfigurados,
Túnicas brancas, como em noivados,

Viverão sempre na eterna luz
Pobres benditos, amem, Jesus!...


In "Os Simples"

Guerra Junqueiro
1850 – 1923

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Se o partidozinho diz mata!, todos respondem em coro: Esfola, Filho!

Como Portugal já resolveu muito bem os casos muito graves de corrupção, milhões para submarinos (na Alemanha alguns foram condenados por corrupção relativamente aos submarinos vendidos a Portugal, em Portugal ninguém foi sequer acusado), milhões em sacos azuis, etc., agora já se começam a esmifrar os pequenos casos moralmente dúbios no sentido da purificação total: bilhetes do Benfica, 400 euros em livros...

O que é que se passa? Um amigo diz que vê aqui a mão de José Sócrates. Talvez. Como força de destruição que já quase havíamos esquecido.

Ou então é a direita que levou Portugal à miséria, acusando o partido que o tirou da miséria: económica, moral, etc. Mas realmente não foi o Partido Socialista que fez tudo isto e sim a coligação intitulada Geringonça.

E as pessoas de excelência, que não se podem comparar com criaturas como José Sócrates, Passos Coelho, cavaco e outros que tais.


Contudo, neste pobre país,  a maioria concorda com o seu partidozinho. Se o partidozinho diz mata!, todos respondem em coro: Esfola!

quarta-feira, setembro 06, 2017

Bem vestida, ou mal amanhada e em farrapos? Ou esfarrapada pelascircunstâncias. Eis a questão.

Para as férias que fiz no norte, levei só alguns calções e apenas umas jeans, que rasguei pelo caminho, acidentalmente.
Continuei a usá-las, claro. Longe de me chamarem pobre e farrapona, como chamariam há anos, toda a gente acha que eu estou na última moda e na crista da onda.
No regresso a Lisboa, como sabem, houve um acidente com o autocarro onde seguia, só agora vejo que tenho as pernas verdes, com "negras", embora me doam um nadinha. 
Mas tive de explicar aos outros passageiros que não rasguei as calças no acidente, pois estávamos preocupados uns com os outros. Nem as comprei já rasgadas. Difícil de entender... Mesmo falando outras línguas... LOL.

segunda-feira, agosto 07, 2017

Limpa-chaminés: tão queridos, tão fofinhos... Tão mimi

Existe, em Portugal uma lei, destinada a evitar incêndios ou a propagação de um incêndio: é obrigatório mandar limpar as chaminés todos os anos. 

Ninguém conhece essa lei e, quando se ouve falar em limpa-chaminés, toda a gente pensa logo no filme da Mary Poppys, ou então não pensa em nada e imagina uma criatura toda enfarruscada, cara incluída, por causa do carvão que dantes havia. 

um que contratei perguntou-me logo se quer apagar IVA ou não. Um IVA de 23 por cento, reservado aos artigos de luxo.

Quando, em Portugal acontece uma catástrofe, como um incêndio, ou outra, os portugueses já não consideram que foi obra do destino e uma fatalidade. Já compreenderam, claramente que alguém tem culpa e deve ser responsabilizado.

Mas não importa muito saber ao certo quem tem culpa, basta que seja um qualquer, por exemplo, um dos ministros ou o primeiro ministro em exercício, se se demitir ou for demitido tudo bem, senão toda a gente resmunga. Embora ninguém cumpra as leis, ninguém conheça as leis, esta e muitas outras.

Uma amiga que vive na Suíça diz que existe lá a mesma lei, mas ai de quem não a cumprir. É mais caro do que em Portugal e toda a gente tem de pagar o preço e o IVA.

Eses suíços são loucos!!!

terça-feira, janeiro 24, 2017

O país do mérito



Nas Escolas, só se ouve toda a gente, partir dos 50 anos, dizer: 
- Conto os dias que faltam para a reforma! Por exemplo, 15 anos em dias. Oh, quem me dera a reforma!


Não é caso para menos: a partir dos 55, toda a gente conhece pessoas, vagamente amigas, que já estão reformadas há bués, ninguém entende como. 

Desde trabalhadores de multinacionais, a políticos e até professores primários: os que se vão reformar aos 66 anos andam há muito a pagar a reforma de antigos colegas de estudos, muitas vezes, quase sempre, os piores. Professores que estudaram menos 4 ou 5 anos (ou mesmo menos 10) do que os outros e que ganhavam o mesmo, antes de se reformarem.
Que país é este? O da mediocridade? 


O país que não estima o mérito nem o trabalho, nem o estudo. Vamos longe!

quarta-feira, janeiro 11, 2017

Ai a idade da reforma!



Dizem-se e fazem-se, na nossa sociedade atual muitos disparates relacionados com a reforma, por causa do aumento da idade para 66 anos e, sobretudo, pela injustiça de muitos se terem reformado com 50. Ou seja, andam agora pessoas de 66 anos a pagar as reformas de pessoas muito mais novas do que elas, e isto não dá para se perceber.

Por contágio, já é vulgar alguém que tem 40 anos lamentar-se de que ainda lhe faltam 26 para a reforma, o que é risível, pois ainda não deveria, sequer, pensar em tal coisa.

Mas para mim, o máximo foi isto: numa visita de estudo que fiz com alunos de 12 e 13 anos ao Museu do Azulejo, a guia disse-lhes que é voluntária, porque está reformada e acrescentou:

- Há tanto trabalho para fazer aqui, que, quando vocês se reformarem, também podem vir trabalhar para cá como voluntários.

Não resisti a responder:
- Claro, a principal preocupação destes meus alunos é: "o que vou eu fazer quando me reformar?! "

Os miúdos riram-se, claro, mas nem perceberam bem a ideia...

Eu às vezes sou um nadinha chata, mas... convenhamos...

Nadinha

sexta-feira, dezembro 16, 2016

Fim da Cornucópia?


Fui uma vez a Cornucópia, fora outras vezes, convidada como delegada de português, ou seja, esperavam se que eu comprasse uns duzentos bilhetes. 
Trataram-me como se fosse uma fã do tipo Luís Miguel Cintra, como se toda a gente fosse fã dessa criatura, como se fosse eu a agradecer por lhes ir dar uma grana. Arrogância, prepotência...  
Eu era a única convidada do género que estava presente e diverti-me imenso a conversar com a Beatriz Costa, que se encontrava entre o público.
Voltei lá outras vezes, outras tantas secas.
Para que público representavam estas criaturas? Para mártires? Para submissos? Para proletários eruditos?
No dia que menciono apareceu uma professora, não convidada, que se mostrou muitíssimo honrada e orgulhosa por poder falar com a criatura. Elogiou, elogiou, mas foi tratada como aquilo que era e como aquilo que se mostrava: como um ser inferior.
Nem sei como esta companhia teatral aguentou tanto tempo. 
Não, seguramente, pelas receitas próprias. Nem talvez por méritos próprios.
Muito menos pelo público.

A Cornucópia foi agora encerrada: VER NOTÍCIA NESTE LINK

sábado, outubro 15, 2016

Uma estranha e “nova” forma de submissão à portuguesa: os espertos conformam-se.


Os portugueses estão sempre a inventar novas formas de submissão e de conformismo. 
Longe vão os tempos em que muitos dos “nossos” eram torturados  ou mortos, espoliados e, claro, ostracizados. 
Mas esses também eram uma minoria, que no seu tempo foi desprezada, para ser elevada ao estatuto de herói depois da revolução de abril e de outras revoluçãoes, pois em Portugal o poder só se perde por revoluções. 
Por exemplo, a revolução da Geringonça.

Passar de mártir a herói morto não é para qualquer um. Mesmo que não morra, o herói perde os cabelos, envelhece mais do que o cidadão comum, perde dedos, dentes, etc., tudo antes de chegar a herói.

Vem isto a propósito: há poucos anos, um ou dois apenas, todos os funcionários públicos afirmavam, em tom agressivo para ser convincente, que os funcionários públicos nunca mais receberiam subsídio de Natal ou de férias, que cada vez iriam ganhar menos, pagar mais impostos, por ser esta a evolução natural do governo PAF: passos coelho paulo portas. Seria esta evolução se este PAF continuasse no poder, o que esteve quase para acontecer. 
Porquê?
Claro que ninguém iria votar Bloco de Esquerda, ou PCP, nem mesmo PS, pois a país precisava desesperadamente de um tipo parecido com o Salazar, que o espezinhasse e que desse dinheiro aos mais ricos, tirando pobres e remediados. 
No segundo ano da Geringonça, ainda tudo está bem, as pessoas ganham mais, recuperaram a alegria, sem as ameaças de catástrofes dos dois urubus, passos e portas.

Conheci pessoas que se reformaram antecipadamente, pessoas que pareciam ser viciadas em trabalho, mas que optaram pela aposentação antecipada perdendo muitíssimo dinheiro por mês, com o argumento de que, como a reforma tem por base o vencimento, como cada vez ganhamos menos, logo, se trabalharmos mais tempo vamos ganhar menos. 

Essas pessoas eram e são consideradas muito espertas, sabidas, etc. . Pois!
É o que convém, chamar espertos e sabidos aos submissos e conformistas.

E esta atitude alastra-se a todas as relações de poder. Contestar, criticar, provocar?  Não. Os espertos conformam-se. 

quinta-feira, outubro 06, 2016

Portuguesinhismo, também conhecido por Chicoespertismo ou mesmo, mais dramaticamente, por Chico Lamúrias


Na reunião de condóminos, vários deixaram de pagar a quota, depois de um desses ter perguntado, indignado:
-Quê? Há pessoas que não pagam? E o que é que lhes acontece? 
- Nada, claro!
- Nada?!
- Nada, claro, a legislação prevê que o condominio coloque essas pessoas em tribunal, mas isso fica tão caro ao condomínio... Mesmo que perdessem e pagassem, não dava para o condominio pagar às custas do processo...
- Pronto, conclui o portuguesinho. Então ninguém paga e eu é que vou pagar?! 
(Manguito disfarçado). 
Consternação geral, com pena do Chico Lamúrias. 


quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Você é socialista? Ai sim?!

Porque é que os partidos socialistas ainda se dizem de esquerda e esperam que acreditemos? Pergunta de "um milhão de dólares" como dizem os americanos.

quarta-feira, novembro 19, 2014

Do Riso e da alegria de viver ou o Portugal cosmopolita


"Rir junto é melhor que falar a mesma língua.
Ou talvez o riso seja uma língua anterior que fomos perdendo à medida que o mundo foi deixando de ser nosso.” 

Mia Couto

Acabo de ver isso mesmo numa loja de fruta e verdura chinesa, em que o Tchan, dono da loja e uma rapariga fazem rir todo o mundo sem percebermos nada do que dizem, porque a alegria é universal e contagiosa. 

São pessoas vivíssimas.

E ainda oferecem ervas aromáticas.

(Todos se surpreendem: nunca tínhamos visto, nesta nossa terra, chineses engraçados, simpáticos e alegres!)

Portugal está a ficar cosmopolita, apesar dos pesares.

quarta-feira, novembro 05, 2014

Por favor, posso dar a minha opinião?




Eu acho que os Russos vieram vender os navios que iam para a sucata, como novos, ao Paulo Portas.
Antes que ele saia do governo.

E também vão trazer os aviões velhos, os submarinos velhos, metralhadoras velhas, tanques velhos (não dos de lavar roupa) e também tanques velhos de lavar roupa. E máquinas de costuras velhas e assim...

A ver se a gente compra tudo. Eles também estão um bocado atrapalhados com o dinheiro...

Ver aqui:

Navio hidrográfico russo detetado na Zona Económica Exclusiva portuguesa



quinta-feira, outubro 09, 2014

Eu disse-te para tu pores o pé em cima do dinheiro! Eu disse-te para tu pores o pé em cima do dinheiro!

A mulher, nos seus cinquenta mal conservados, encarquilhados, ainda que com alguma jovialidade no vestir e na atitude, chorava copiosamente do olho negro e ao mesmo tempo gritava com o rapaz, numa voz aguda e lamentosa, repetindo sempre a mesma frase, ainda que em diferentes tons: 

- Eu disse-te para tu pores o pé em cima do dinheiro! Eu disse-te para tu pores o pé em cima do dinheiro! 

Já se tinha juntado muita gente a ouvir aquele monótono refrão, quando passei. Mas mais ou menos discretamente, como é costume agora em Lisboa... fingindo que tinham parado ali por acaso, a conversar com um conhecido...

O polícia, um rapagão atlético, ultrapassava de vários dedos e de vários pés a estatura das duas figuras franzinas. Não dava demonstrações de autoridade, de força ou de persuasão, não empunhava arma e sim telemóvel, parecia que iam os três a passear por ali. Os outros dois nem tentavam fugir, mas a mulher insistia, aos guinchos cada vez mais estridentes e com mais lágrimas a sair do olho negro, ou com lágrimas mais visíveis no olho negro do que no outro:

- Eu disse-te para tu pores o pé em cima do dinheiro! Eu disse-te para tu pores o pé em cima do dinheiro! 

 E a certa altura acrescenta uma variante:

- Eu disse-te para tu pores o pé, mas era em cima do dinheiro! 

Prossegui caminho. O truque para continuar ali seria meter conversa com alguém e fingir que tinha encontrado um amigo, em cada esquina um amigo... e ficávamos ali a ouvir e a ver, meio voltados para a cena, meio voltados de lado...

Mas eu já tinha percebido tudo: os dois estavam a  vender droga.  Quando aparece o rapagão polícia, a mulher manda deitar tudo para o chão. O jovem, inexperiente, atira tudo, incluindo o dinheiro.

É então que a mulher lhe diz para pôr o pé por cima. Era evidente para ela: por cima do dinheiro. Mas ele pensou que a droga era mais valiosa do que duas ou três notas de 10 Euros, portanto pôs o pé em cima da droga.

Para gente sem poder algum de argumentação ( incluindo o rapagão polícia), o caso é simples: pôr o pé por cima de algo é o mesmo que tomar posse desse algo. O rapaz teria tomado posse do dinheiro se pusesse o pé em cima do dinheiro, mas em vez disso tomou posse da droga, porque pôs o pé em cima da droga.
E foram ambos presos.

- Eu disse-te para tu pores o pé em cima do dinheiro! - chorava a mulher, com lágrimas no olho negro.


quarta-feira, abril 09, 2014

Sorteio do Audi deteta fraudes e combate a corrupção

Agora já percebem para que serve o sorteio do Audi??? Foi a única maneira de generalizar o pedido de faturas. Considero uma ideia genial e gostava de saber quem a deu.
Só os funcionários públicos e os aposentados é que devem pagar a crise?
Por uma vez alguém acertou. Deve ter sido alguém da Troika que deu a ideia. 
Ou talvez uma empregada de limpeza, que estava a ouvir a discussão dilemática: "como detetar as fraudes nos impostos?", enquanto esperava para limpar os copos e os cinzeiros.

Herança da ditadura, os portugueses nunca fazem queixa, só protestam entre dentes e entre si em voz baixa, ou em voz alta se ninguém importante estiver a ouvir. Todos sabemos que muitos negociantes não pagam impostos e que essa é uma das razões da crise.

A brincar com o concurso dos Audis, o problema vai-se resolvendo. 
Mas são muitos os comentários, caricaturas, desenhos cómicos que se preocupam com  hipótese de um Audi sair a um pobre.

Parece que estamos no século XVII, a sortear uma carruagem puxada a oito cavalos, que pode sair a um pobre. O pobre não faria mais nada que não fosse pastorear os cavalos. E caíam os parentes na lama, aos legítimos proprietários de tais mordomias. Mas não vivemos em democracia? Os pobres não deixam de ser pobres?

Esta nossa sociedade portuguesa tem aspetos ridículos. 

Fisco detecta mais de 5000 casos de empresas e singulares que não registavam facturas

Mas fugir aos impostos não é considerado fraude. Já que ninguém faz segredo disso.


sábado, março 29, 2014

Portugueses trabalham muito ou pouco?

Tenho conhecido muitos portugueses, nomeadamente na minha profissão, que nunca trabalharam nada, sempre com falsos atestados médicos ou psiquiátricos. 

Quando "regressam" por pouco tempo, ao trabalho, vêm queimados do sol, às vezes no inverno. E toda a gente, com o ar mais idiota deste mundo, pergunta se estão melhores e mostra ter muita pena. 
Aparentemente, a situação laboral mudou muito, mas não para esta gente, que continua na mesma.

Em média, isto deve dar que os portugueses que trabalham muito, trabalham pouco.

O que levará os médicos a colaborarem, ainda hoje, nesta fraude nacional?

Este post pretende responder ao inquérito do jornal Expresso:

Portugueses trabalham muito ou pouco?



quinta-feira, março 27, 2014

A CORRUPÇÃO EM PORTUGAL É LIMPA. MORREMOS TODOS DE SAÚDE E DE ALEGRIA.



ISTO SÓ ACONTECE NO MÉXICO. A CORRUPÇÃO EM PORTUGAL É LIMPA. NINGUÉM MORRE, POIS NÃO? PELO MENOS, QUE SEJA NOTICIADO.

EM PORTUGAL, MORREMOS TODOS DE SAÚDE E DE ALEGRIA.


ESTE VÍDEO PRETENDIA MOSTRAR O DIA A DIA NO MÉXICO. DEPOIS DE PROIBIDO, TORNOU-SE VIRAL NA INTERNET.