quinta-feira, setembro 13, 2007

Ode Marítima

 

 

 


Quem me mete aqui uns versos da Ode Marítima?
Posted by Picasa



Agradeço a C. e à Maria os versos tão lindos que até me fizeram arrepiar a espinha. Ver Comentários.

2 comentários:

C. disse...

"Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,/
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.
(...)
Ah o Grande Cais donde partimos em Navios-Nações! /
O Grande Cais Anterior, eterno e divino!
(...)
Ah, a frescura das manhãs em que se chega,
E a palidez das manhãs em que se parte,
Quando as nossas entranhas se arrepanham
E uma vaga sensação parecida com um medo
- O medo ancestral de se afastar e partir,
o misterioso receio ancestral à Chegada e ao Novo -
(...)No mar, no mar, no mar, no mar,
Eh! pôr no mar, ao vento, às vagas,
A minha vida!
(...)
A vida flutuante, diversa, acaba por nos educar no humano."

Ode Marítima. Álvaro de Campos.

(tinha de aceitar o desafio.:) ficam apenas alguns dos meus versos preferidos.)

maria disse...

(...)
Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve como uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.
(...)

in Ode Marítima, Álvaro de Campos

(Fica o meu contributo...)