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terça-feira, março 30, 2021

Distância muitíssimo social - os gadjós

 Na fila do supermercado há uma senhora grudada em mim. Resisto a dizer-lhe que se afaste um bocadinho, em parte, por uma delicadeza que poucos me conhecem, em parte por falta de medo do COVID. Mas ela não tem desses pruridos

- Esta cigana não me larga! Veja lá se pode avançar um bocadinho na fila, mais para a frente.

Avanço um grande bocado, para constatar que a dita senhora está outra vez encostada a mim


- Esta cigana não tem qualquer noção! Não a vê colada a mim outra vez? 


Não, não vejo. O que vejo é que esta senhora prefere estar encostada a mim do que estar a meio metro da cigana. Ou a ir para o fim da curta fila.


Talvez porque eu sou... reflito: sou o quê? Caucasiana? Não, nem deve saber o que quer dizer isso. Branca? Os ciganos não são pretos. Europeia? Os ciganos vivem na Europa. Então, eu sou o quê, para esta seletiva criatura? 

Ah, já sei, os ciganos têm um termo para isso, uma palavra que diz logo tudo. Eu Sou... eu sou... 

  • Gadjó! *
Esta senhora só se encosta a gadjós, com ou sem COVID 19.


  • Palavra cigana que designa logo de uma vez todas as pessoas que não sejam ciganas. Lol. 

domingo, fevereiro 09, 2020

Racismo e anti-racismo



Quando vivi no Algarve, tive uma amiga muito bonita, muito querida, normalmente inteligente, mas que não tinha a quarta classe, a escolaridade obrigatória na época, teria só a segunda ou terceira. Sentia-se muito inferiorizada perante os amigos e amigas que até tinham o nono ano e que estavam sempre a mostrar que eram muito cultos, falando de coisas de que ela não sabia falar, mas não se sentia mal comigo, à época professora do Liceu António Aleixo. Conversávamos muito na praia pequena ao lado da praia da Rocha, para onde íamos às vezes, ou nos bares circundantes.
Não tinha a quarta classe, porquê? 
Quando vivia em África, muito pequenina, a professora e os colegas batiam-lhe por ser branca. Quando, pouco depois, veio para Portimão, na descolonização, a professora e os colegas batiam-lhe por ser preta. Era mulata.
Perante os atuais antirracistas militantes, que são de esquerda como eu, com quem tenho discutido estes assuntos, a menina só foi vítima de racismo em Portimão. Em Moçambique, ou Angola, não me lembro, era apenas uma perigosa colonialista imperialista.

Esta discussão faz sentido atualmente, com as Joacines e os Mamadus da vida... 
Discutir tudo com a inteligência, com a razão e com a lógica, é necessário.

(Como não havia ainda redes sociais nessa época, perdi o contacto com esta amiga, que foi viver para os Estados Unidos, casada com um americano. Tudo está bem quando acaba em bem!).


Foto: Praia de areia preta, Ilha de Stromboli, Itália. Foto do blogue.