sábado, janeiro 07, 2012

Carne de vitela assada com castanhas e cogumelos: "Outono Doirado"

Da primeira vez que fiz uma assado, a minha irmã perguntou-me:
- O quê? já te meteste em assados?


De facto, numa das primeiras vezes que cozinhei, há milénios, toda a gente olhou para a comida de modo desconfiado, a perguntar-se o que seria aquela coisa. O meu pai, bom viajante,  serviu-se, comeu à vontade e disse:
- Sabe-se que é de comer, come-se!


Mais tarde, na mesma época, fiz um novo cozinhado: até já dava para entender que era para comer, ainda que eu não tivesse dado essa informação, mas a quantidade era tão reduzida que o meu pai, viajante como era, declarou:
- Come-se pão!


A razão destas minhas aventuras culinárias algo hieroglíficas era ter morrido recentemente a minha mãe, cozinheira "de mão cheia", mas que nunca me ensinou a cozinhar. (Também não teve muito tempo para o fazer, morreu nova).
- As mulheres são umas escravas da cozinha. Eu não te quero assim. Estuda. Se não souberes cozinhar, hás-de descobrir uma maneira de comer sem cozinhar. Não te cases. Não tenhas filhos! Vive a tua vida:  estuda e viaja.


E assim fiz. Com uns pais tão breves e tão simpáticos, ficou quase arruinada a minha já pouca vocação culinária e doméstica.


Resumindo rapidamente, pouco cozinhei desde essas primeiras experiências hieroglíficas, eu diria mesmo, criativas.


Agora ando a inventar cozinhados. O resultado foi ter passado de pessoa magra e esquelética para abonada criatura, abundante de carnes, amante do garfo, sem serem já visíveis os ossos, apesar do desporto.


E aí vai a minha mais recente criação "Outono Dourado", para parafrasear um poema de Fernando Pessoa. Os que vinham à procura da receita, já desistiram há várias linhas azuis de lerem isto, mas, aí vai. Aí vai... 




Carne de vitela assada com castanhas e cogumelos: "Outono Doirado"


Compra-se, no Pingo Doce (Ai, não, em qualquer outro lugar, excepto no Pingo Doce) um naco de lombo de vitela (que não encolhe ao ser assada, a acreditar no que disse o rapaz de luvas de malha de ferro que ma vendeu e que me fez recordar os cavaleiros medievais, mas que apenas usa a malha de ferro por ser obrigatória pela ASAE, que nesse tempo, ainda não existia. 
No Pingo Doce, de Janeiro a  Janeiro, não, foi em Janeiro, mas nunca mais lá vou, por razões políticas que todos os portugueses conhecem, abaixo o Pingo Doce!!!!).


Numa assadeira de cristal, aliás, de Pirex, por enquanto, ou assim, coloca-se para aí um copo de vinho branco, umas colheres, duas ou três, de óleo vegetal, para não ter muita gordura, sal e quatro dentes de alho en camicia (com pele). Coloca-se em cima a carne e rega-se esta com um pouco de vinagre balsâmico, polvilhando-se depois com pimenta preta (do reino) moída. Este preparado fica de um dia para o outro, creio que se chama a marinar, e talvez mesmo se chame em vinha de alhos. Mas não me perguntem esses detalhes.


No dia seguinte, coloca-se no forno, com castanhas, deitando um nadinha de sal sobre as castanhas. Nunca consegui que as batatas ficassem assadas, ficam sempre meias cruas, mas, se vocês conseguirem, isto pode ser feito com batatas. 
Ao fim de 25 minutos, abre-se o forno, tira-se a assadeira, volta-se a carne ao contrário, viram-se ligeiramente também as castanhas, ou as batatas (talvez batatas às rodelas estreitas resolvam o problema), e colocam-se cogumelos por cima. Não se mergulham no molho, apenas se pousam por cima. Fica no forno mais uns 20 minutos, no total, entre 45 minutos e 55 minutos.


Perguntem-me qual é a melhor parte deste assado.
- Ó Nadinha, qual é a melhor parte deste assado? 
- São os cogumelos.



P.S.: Se vocês tiverem feito, como recomenda a minha médica naturista, um jejum de 24 horas, ou seja, ficarem sem comer desde hora do almoço de um dia até ao almoço do dia seguinte, isto sabe tão bem como se fosse a comida dos anjos e, além disso, não engorda.
Nadinha



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