segunda-feira, julho 17, 2017

Comunidade cigana: mitos e realidades



Tive há uns anos dois ciganitos como alunos, no Algarve, Portimão, a quem eu dava francês de iniciação. Um dia tiveram boa nota no teste ( na iniciação as notas são boas) e disseram: “Setôra, imagine, então, se nós até tivéssemos livro de Francês!”. Não tinham. 

Nessa turma também tinha dois quase cegos, que não queriam ajuda, mas também não viam o livro… Lembro-me dessa turma por isso e porque, um dia em que cheguei à sala um segundo antes de me marcaram falta e de os mandarem para o recreio brincar, ficaram todos muito aliviado e felizes por me verem. 

Só os pequenos são capazes de manifestar este tipo de alegria.
Estas e outras agradáveis recordações fazem-me ter esquecido momentos desagradáveis, que os há e muitos.


Vem isto a propósito do recente ataque ao ciganos... por razões populistas.

LER:

domingo, julho 16, 2017

Portugal deve pedir desculpa pelo seu papel no tráfico de escravos e incentivar no país uma discussão sobre o assunto?


Encontramos no Expresso de 16 / 7 / 17 esta notícia:

"Os líderes políticos portugueses devem pedir desculpa pelo papel do país no tráfico de escravos e incentivar uma discussão sobre o tema na sociedade portuguesa, defendem especialistas americanos ouvidos pela Lusa."

A discussão sobre o assunto é de facto urgente. Senão, vejamos: 

Existe, neste blogue, um post muito polémico, intitulado : 
"Portugal, 1º país a abolir a escravatura?" polemizando esta informação, que nos é dada nos bancos da escola. 

A ideia de que Portugal foi pioneiro na luta contra a escravatura é totalmente abstrusa, absurda  uma negação da realidade, já que Portugal foi um dos países com mais responsabilidade na quase "eternizarão" da escravatura, perpetrada por europeus. 
É da Europa que estamos a falar e não da escravatura que ainda hoje se pratica em muitos países do mundo, de tal maneira que existem hoje mais escravos do que no ano 1800. (E nós também pactuamos com essa escravatura atual, ao comprarmos produtos muito baratos, em ternos relativos, porque são produzido por escravos).

O interessante desse post não é o post em si, mas sim os muitos comentários, quase todo negando a realidade. Só foram apagados os que eram claramente insultuoso para a autora do blogue ou para alguém específico, os outros estão lá, prontos a serem lidos.
E, na sua maioria, revelam um desconhecimento total da história de Portugal e da história da escravatura no mundo. Ou uma ideologia branqueadura de tudo isto e em particular do Salazarismo, o qual mantinha os escravos, de forma anacrónica em relação à Europa.

Chegou o tempo de refletir. Vivemos num mundo global. Não custa nada reconhecer os erros dos nossos antepassados. Nossos? De quem? Meus?

Creio que o atual presidente da Republica irá pedir desculpa, como lhe compete, até na sua qualidade assumida de professor.

quarta-feira, julho 12, 2017

O assalto de Tancos e a Feira da Ladra

Descobriu-se agora que, afinal, os assaltantes de Tancos eram vendedores de velharias da Feira da Ladra de Lisboa.
-Digam-me, para que queriam vocês essa lataria toda de Tancos?
- A gente só queríamos vender estas coisas velhas na feira, porque é isso que a gente fazemos. 
- E acham que iam ter muitos compradores, para este material? 
- Muitos, muitos, se calhar não, mas há sempre uns que andam a procura de cobre, para vender o cobre. E estas coisas que a gente trouxemos de Tancos têm uma beca de cobre...

terça-feira, julho 11, 2017

Diálogos



- A senhora está a dizer que eu ainda sou muito nova para pedir a reforma? Eu tenho 46 anos e já tenho 20 de descontos, já trabalhei muito, mas já pedi a reforma por validez.

- Ai sim? Mas eu referia-me àquela senhora, ela diz que não trabalha...

- Eu tenho 45 anos e já tenho 25 anos de descontos. É claro que não trabalho. Qual é o patrão que me dá emprego, se eu de vez em quando tenho de me sentar?

- Bem, o ideal era arranjar um emprego em que estivesse sentada.

- Mas eu não posso estar muito tempo sentada! Também vou pedir a forma por validez! Agora estou a receber da inzenção.

- Eu também estou a receber da inzenção. Mas eu tenho os papéis. Ora veja. Vê?

- O que é isto? Espere, vou pôr os óculos.

- São os papéis dos tratamentos que eu faço, vê? Estou toda picadinha, aqui, aqui, aqui, aqui... Vê?

- Sabe, os velhos acham que podem ir sentados no autocarro e estar nos bancos da paragem, como aqueles li, e têm direito, claro, mas os velhos muitas vezes não têm nada e depois dizem que nós somos muito novas!

- Sabe, senhora, eu estive aqui a ouvir a conversa e eu também só tenho 42, mas também não posso estar muito tempo de pé, nem muito tempo sentada. Tenho espandilosite. Não posso trabalhar! Vê? Já me está a doer aqui.

- E a mim doi-me aqui, vê? Até estou encostada à paragem, aqui atrás.

- Mas os câncaros é que dão logo direito à validez.

- Pois, o pior são as limpezas! As limpezas das casas fazem muito mal aos ossos.

- Então adeus e as melhoras!

- Não tem nada que saber, vai neste e depois apanha o 50.

- Obrigada!

- Espere que eu vou consigo para lhe dizer aonde há-de sair.

- Eu também vou e também lhe digo.

- Eu não vou, mas não se esqueça que é o 50!

- Obrigada!

domingo, julho 09, 2017

Tatuagens






Vejo-a às vezes com os filhos pequenos, outras vezes sozinha ou com amigas. Por onde andará o Rodrigo?

sábado, julho 08, 2017

o verão do nosso descontentamento

Eu não diria que tudo acontece neste verão, apenas que tudo se descobre neste verão. 

Sempre houve roubos de armas, balda nas forças armadas que julgávamos tão direitinhas, vigarices no SIRESP e outras PPPs e fugas de informação no exame de português. 

Este governo não esconde nem nega os problemas, manda investigar... mais: apagão dos offshores, etc. sei que há mais... tudo esclarecido neste verão.


Ainda os exames de 12º ano de português

BNão pude deixar de rir às gargalhadas, ainda que involuntariamente, ao ler a notícia da professora que fazia a revisão do exame de português e que todos os anos dizia aos alunos o que ia sair. O riso inoportuno, já que estava a ler o Expresso num sítio público, ocorreu quando se informava que o professores que conhecem as provas estão sujeitos ao dever de sigilo.  Ai sim?

Não se trata de um problema de hoje, mas sim de uma década.

É o culminar de um exame que sempre foi desastroso, como muitas vezes, aliás, todos os anos, demonstrei neste blogue. Umas vezes com comentários meus, outras vezes partilhando artigos críticos. 
É o último exame deste género e sinto-me muito satisfeita por isto se ter descoberto, pois mais tarde seria tarde. E já é tarde, parafraseando a Sophia.

No entanto, este é apenas um pormenor do que está errado, embora aponte, como em outros casos agora vindos a lume, como o do paiol de Tancos e outros, para um questionamento geral das chefias do Estado. 

Como se chega chefe? No Estado?

A direção do IAVE manteve-se de pedra e cal através de muito governos, é caso para perguntar porquê. 
Com um diretor tão confiante, tão ingénuo, que confiou naquela criatura para ser uma das 10 que têm acesso ao enunciado final do exame. (Desse número não fazem parte as pessoas que elaboraram as perguntas do exame, as quais só sabem da sua pergunta). aquela senhora era mesmo de confiança...

Neste verão tudo se descobre. Somos nós, portugueses, que temos de descobrir também por que razão as chefias que temos são, ou corruptas, o que não parece ser o caso, ou ingénuas. 

Ou parvas.

Até porque "a professora em causa já tinha sido suspeita, em anos anteriores, de violar o acordo de confidencialidade a que estão obrigados todos os que participam no processo ligado aos exames nacionais, "

Ver aqui: http://www.tsf.pt/sociedade/educacao/interior/identificada-alegada-autora-da-fuga-no-exame-do-12o-ano-8622797.html

(Para ver os outros posts deste blogue sobre o assunto, clicar no fim do post, onde diz Etiquetas e na tag: Exames do 12º Ano).


sexta-feira, julho 07, 2017

Turistas: o novo volfrâmio





No tempo do volfrâmio os pobrezinhos enriquecidos pelo volfrâmio iam aos restaurantes do Porto e pediam cabrito assado, com pão de ló em vez de pão e acompanhado de vinho "fino" (vinho do Porto), em vez de vinho de mesa. 

Mas o volfrâmio de agora são os turistas, que levam com este "prato típico".

O problema da administração pública é um problema de caráter

O que funciona mal no país, o que nem sequer funciona no país, não é só produto da corrupção.

As coisas não funcionam porque quem está à frente de tudo são os que não deviam estar à frente de nada.

São os videirinhos, os louvaminhas, ou os que não fazem ondas.

A pior coisa que se inventou neste país, inventada pelo José Sócrates, foi a avaliação dos funcionários. O que até aí se fazia de maneira informal, passou a ser feito de forma burocrática. Foi um achado.

Escolhem-se as pessoas simpáticas, ou os amigos, elimina-se a concorrência, etc. O José Sócrates, mais conhecido pelo 44, sabia muito bem o que fazia. Mas só fez o que lhe deixaram fazer.

Precisamos de gente ativa, dinâmica, mas sobretudo de gente que acumule essas qualidades com a coragem.

O SIRESP só não funciona em situações de emergência

Afinal, o SIRESP sempre funcionou muito bem. Só funciona muito mal, desde o tempo do passos coelho, quando se verifica alguma situação de emergência.

O SIRESP só serve para socorrer em situações de emergência.

Percebem? Não?!