segunda-feira, janeiro 15, 2018

Não se pode morar [murar] nos olhos de um gato ?


Quando começamos a ler este livro, ficamos perplexos e divertidos, pois a narradora é uma santa de pau situada num navio em que viajam escravos negros, passageiros de primeira classe, cavalos, etc. A santa tem uma perspectiva irónica a respeito de toda a gente, obrigada que está a ouvir tudo o que lhe dizem e pedem. 
Após e durante um naufrágio, as relações dos sobreviventes mudam, radicalmente. Por exemplo, uma "senhora" pede à escrava preta e ama que lhe dê o seu filho para o salvar, morrendo a preta, mas esta não lho dá, desaparecendo os dois por entre as ondas. 
Os sobreviventes também mudam de estatuto, pois os que sabem fazer superam os que não sabem fazer, sendo, porém, superados pelos que sabem gerir.
É difícil de ler, a princípio, pelas muitas paráfrases de literatura antiga.
Muito bem escrito, bem apanhado, o final desilude pelo negativismo e pela falta de esperança, talvez na humanidade. 
Se fossemos um rei medieval, iríamos exigir que todos sobrevivessem ao naufrágio, em vez de dois morrerem perto da liberdade, depois de muito terem contribuído para ela.
É um livro sobre a solidão existencial, a indiferença e a maldade. 
Uma maldade que passa despercebida ao próprio sujeito, que se julga bom, pois decorre do poder. essa é a parte mais interessante da obra.
É também um livro sobre a culpa, sobre atitudes irremediáveis que não se podem desfazer.

O título não se entende muito bem, já que há vários cães importantes na intriga, anteriores ao estatuto de pets, mas não há nenhum gato individual. Não se pode morar nos olhos de um gato, ou não se pode murar nos olhos de um gato *?

A obra tem muitas intertextualidades, incluindo a "Alegoria da Caverna", de Platão. Mas isto teria panos para muitas mangas. Até mesmo para um mamãozeiro. :)
E o título tem muito que se lhe diga, demasiado ocupado e demasiado preocupado com a gramática. 

* Murar: Espreitar (os ratospara caçá-los).


Me Too na Renascença: Judite e Holofernes, de Artemisia Gentileschi





 Artemisia Gentileschi (1593 – 1656) pintora italiana da Renascença, foi violada por um outro pintor, seu mestre.
Tendo a obrigação de casar com ela, o violador não o fez. A opinião da mulher não contava, claro.
Artemisia, ao representar a cena de Judite e Holofernes, retrata-se  si mesma como Judite e ao mestre como Holofernes... realmente parece que está a matar um porco, daí a relação com o movimento Me Too.
A sua obra representa cenas bíblicas, cheias de sensualidade e erotismo, como era próprio da época.
Como a sua Susana no Banho, aqui:



A própria pintora era muito bela, pelo que se reproduz nas suas obras, ora em autoretratos, ora como personagem. Ver aqui



sábado, janeiro 13, 2018

Me Too já no século XVII





Para acrescentar ao movimento Me Too, a obter apoio mundial, VER AQUI, nada como uma obra do Século XVII, uma pintura da artista italiana Elisabetta Sirani.

Representa a Timoclea de Tebas, atirando ao poço o soldado grego que a violou. Foi perdoada e posta em liberdade
 por Alexandre Magno, o qual admirou a sua valentia.


#MeToo

sábado, janeiro 06, 2018

A Coluna de Fogo




Esta é a terceira sequência dos calhamaços que começaram com Os Pilares da Terra. É melhor ler nas férias, porque são todos muitíssimo absorventes, mas este tem o interesse de retratar as lutas entre católicos e protestantes em França e na Inglaterra dos Tudors.

O primeiro, Os Pilares da Terra, centra-se na construção das grandes catedrais góticas, com muita informação sobre os aspetos arquitectónicos, para além de focar diferentes aspetos da época, como a produção e tintura de tecidos.

Em todos estes livros, a ação decorre numa cidade inglesa inventada, Kinsgsbridge. As personagens centrais são inventadas, as personagens reais interagem com elas, dando-nos um panorama da Europa dessa época.  Dessas 3 épocas.

terça-feira, janeiro 02, 2018

O Paciente Português ( não confundir com o Paciente Inglês)


Todos nós, portugueses, sabemos que, se temos uma consulta médica marcada para as duas da tarde, a dita consulta só se realiza as seis ou sete da tarde. É claro que não nos passa pela cabeça perguntar a razão de tão inusitada demora, porque sabemos que não há nenhuma : é tradição dos médicos atrasaram-se.
No outro extremo da "classe social", passamos por situação idêntica: perguntamos a um empreiteiro quanto tempo poderá levar a fazer uma obra na nossa casa. Dois dias no máximo passam logo para duas semanas no mínimo, depois de feito o contrato (verbal! Ui!). 
Não passa pela nossa pobre cabeça perguntar a razão de tal demora: é tradição dos empreiteiros, ou trolhas ou canalizadores. Tal como não atenderem o telemóvel quando tentamos resolver o "nosso" problema, ou aumentarem para o dobro a quantia do orçamento, se não houve tempo para fazer tudo por escrito, ou mesmo se houve tempo. 
Conclusão provisória: é tradição comerem-nos as papas na cabeça e é tradição nós deixarmos. De portugueses para portugueses. A bem da naçom! 
Entretanto, contam-me que enfermeiros espanhóis a trabalhar aqui, ou outros a actuarem em Espanha com doentes portugueses, dizem que os doentes portugueses são muito obedientes e submissos: se os mandam tomar banho, vão logo, sem lhes passar pela cabeça dizerem que não lhes apetece, ou que não vão tomar banho nenhum porque estão doentes. Ou algo assim.
Enfim, somos mesmo pacientes. 

segunda-feira, janeiro 01, 2018

Acabar e começar o ano

Como é possível que os programas de televisão sejam cada vez mais foleiros?

Não haverá limites para a estupidez?

segunda-feira, dezembro 25, 2017

Terra queimada



árvores queimadas por todo lado lado, emprestando uma inusitada beleza aos montes, que antes pecavam pela monotonia do constante verde.
Como há uma predominância de eucaliptos, talvez na Páscoa já esteja de novo quase tudo reverdecido.
Fotos tiradas no Monte de São Domingos, Castelo de Paiva.









domingo, dezembro 17, 2017

Passarinho da Moda: Poupa, poupa? Poupai, poupai!!!



Este pássaro, poupa, deveria estar na moda por causa da poupa do Trump. Mas é tão discreto...

Também deveria estar na moda por causa da austeridade: Poupa, poupa!!! Poupai!
Poupaide!