domingo, novembro 17, 2019

Desistimos da modernidade? A mim não me apetece usar Burka. Mesmo que me cortem o pescoço, que não cabe nas burkas




















Nós, ateus, agnósticos, etc... respeitamos diferença, claro. Desde que a diferença não nos destrua, nem nos engula.

Mas, e se a diferença for contra a nossa civilização e conta as conquistas da nossa cultura?
Vejam esta


Em Portugal, um menina Paquistanesa recusa-se jogar num clube portugês se não usar um "equipamento desportivo" parecido com a burka,
Fatima Habib só volta a jogar basquetebol se vestir traje muçulmano

É claro. E nós, o que faremos? Vocês sabem que sempre fui de esquerda, mas a esquerda verdadeira está ser cobarde... parva, no receio de ser incoerente. Incoerentes somo todos. Somos humanos, parvos, incoerentes e demasiado sentimentais, mas sabemos pensar, às vezes. Mesmo até muitas vezes.
Depois de termos queimado muitas bruxas nas fogueiras da Inquisição, só podemos separar a a Igreja do Estado, como fizemos no século XVIII. Mas tanta gente que ainda não percebeu nada disso... no século XXI...


Notícias de muçulmanos que querem impor as suas ideias anti-mulheres, numa Europa e num mundo onde estas ideias só podem ser consideradas arcaicas.

Desistimos da modernidade?


Imagem de : Hugo van der Ding

sábado, novembro 09, 2019

No centenário de Sophia: Praia

E a praia nunca mais será a mesma, depois de termos amado este poema



Praia

Na luz oscilam os múltiplos navios
Caminho ao longo dos oceanos frios

As ondas desenrolam os seus braços
E brancas tombam de bruços

A praia é longa e lisa sob o vento
Saturada de espaços e maresia

E para trás de mim fica o murmúrio
Das ondas enroladas como búzios.

Sophia de Mello Breyner

No centenário de Sophia: Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo




"Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei 

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso 
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo 
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento "
Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'

sexta-feira, novembro 01, 2019

Terramoto de Lisboa e as crenças ou as descrenças europeias


Ex-voto da época



Alegoria ao Terramoto de Lisboa, por João Gambla

A notícia do terramoto de Lisboa, no primeiro de novembro de 1755, simbolicamente o dia dos mortos que foram para o Paraíso (Todos os Santos) foi o primeiro fenómeno mediático quase global do mundo, daí que seja mencionado em livros de autores europeus tão diferentes como Dostoyevsky, ou  como Voltaire, no seu Cândido...



Há poucas imagens feitas por pintores que tenham estado presentes na catástrofe, mas há pelo menos duas: um ex-voto, em que uma senhora agradece por a filha ter sobrevivido à derrocada de uma varanda e uma grande pintura em tela de João Glama.



Como alguns dos edifícios mais destruídos foram precisamente as igrejas católicas, essa circunstância pareceu ser um sinal da decadência do catolicismo. Daí as opiniões de Kant, Rousseau, Voltaire..

Na verdade, sendo Lisboa uma cidade tão religiosa, tendo ocorrido o terramoto precisamente durante uma importante festa litúrgica,  foi mesmo colocada a questão da inexistência de Deus.

Mas fiquem-nos pelas imagens...
Na primeira, o ex-voto de autor anónimo, vê-se bem o que aconteceu.

Na segunda, o pintor, João Glama aparece representado por duas vezes, com o mesmo vestuário verde, uma do lado esquerdo, auxiliando uma senhora caída e outra do lado direito. Sendo uma obra barroca, combina o realismo das cenas representadas com uma visão alegórica, em que entram anjos, pairando sobre os destroços.

VER TAMBÉM:

domingo, outubro 27, 2019

Livraria na Igreja

Igreja de Santiago ou talvez São Tiago, em Óbidos, transformada em livraria. Com altares dessacralizados, mas conservando a traça original, tendo até mesmo sacrários.

Grande livraria.

Fazme lembrar aquele poema de Pessoa:
"O esplendor do altar-mor é eu não poder quase ver os montes"..s
Naturalmente, espero que os livros de espiritualidade ou esoterismo estivessem no lugar do altar-mor, 
ou pelo meno una direção do oriente, o que vai dar ao mesmo, já que o altar-mor deve ser a Oriente... mas estavam atabalhoadamente num sítio qualquer. Dessacralizados os altares, desacralizada a biblioteca... enfim...











segunda-feira, outubro 07, 2019

Vou votar em si porque tenho um cão




Acho muito bem que as pessoas se abstenham. Se elas acham que não vale a pena votar, não vale a pena convencê-las.

São pessoas que não conseguem decidir em quem votar, entre tanto político medíocre e na perceção de que há tanta corrupção...

Se as convencermos, vão votar no Tino de Rans, no PAN ou naquele que boicotou a própria campanha por causa do homem nu, que não entendi onde andava assim "vestido". Ou mesmo isto:

- "Vou votar em si porque tenho um cão".



De facto, há algo que explica a abstenção: os votos brancos e nulos, somados, têm a mesma percentagem do CDS ou do PAN. 

Estas pessoas dão-se ao trabalho de ir votar, para demonstrarem claramente que não confiam em partido nenhum. Sem a desculpa da preguiça. Ou da praia.

Liberdade para votar, mesmo se...






A uma amiga que, no Facebook colocou a foto do seu boletim de voto, mostrando em que partido votou, comentei: - não concordo contigo, mas daria a minha vida para te dar o direito de votar assim.

Ao dizer isto, parafraseei uma frase atribuída (erradamente) ao filósofo Voltaire e que, contudo, resume toda a sua filosofia.

Voltaire, um homem muito sábio e muito bom, que nunca andou ao murro com a terceira idade.

Porque, afinal de contas, isto é que é a democracia:

Podermos votar em quem quisermos, mesmo em quem nos queira desancar… trucidar, deixar de rastos...

"Deixar de quatro no ato..."


Imagem: “Sufrágio", José Veloso Salgado, 1913, Museu de Lisboa

domingo, outubro 06, 2019

Descoberta pintura de Josefa de Óbidos









Este quadro de Josefa de Óbidos, ou Josefa de Ayala, pequenino, agora exposto no Museu de Arte Antiga, era desconhecido e foi descoberto recentemente num leilão na Alemanha. 
Representa uma cigana a ler a sina do Menino Jesus, no Egito, episódio bíblico. Todas as mulheres usam um chapéu de cigana, ou de egípcia...

Existem muitas outras imagens de Maria no Egito, usando um chapéu que também é atribuído, em imagem, às ciganas.
Durante séculos, cigano era sinónimo de egípcio ou mesmo de egipcíaco...

domingo, setembro 29, 2019

Corrupção em Portugal - diz ela (a OCDE)



Leiam este memorável diálogo entre o Ministro da Defesa de Portugal e a Procuradora Geral da República, entretanto afastada do cargo pelos políticos.

Lembrar que a OCDE, em fevereiro deste ano, num relatório mundialmente publicado, aconselha várias medidas para combater a corrupção. António Costa tentou remover a palavra "corrupção" deste relatório.

VER AQUI: 

Álvaro Santos Pereira: Governo quis “remover a palavra corrupção” do relatório da OCDE sobre Portugal


Ética ou corrupção? Portugal irá escolher no próximo domingo

Nós, na Europa, 


Nós, na Europa, já levamos 3 ou 4 milénios de corrupção e outros tantos milénios de ética, de moral, etc...

Nas eleições do próximo domingo, vamos dizer qual das duas tradições cada um de nós valoriza.

Vamos dizer ao resto do mundo (que também lê jornais), se queremos servi-lo como exemplo positivo, ou como exemplo negativo.