terça-feira, junho 11, 2019

Os plásticos

Um dia vamos dizer assim: -" Imaginem que, no meu tempo, usávamos uma vez uma faca uma colher, um grafo, um copo e um prato, tudo de plástico, cada uma destas coisas embrulhada num plástico e depois destacamos tudo fora. Tudo para o mar. Ou para a terra.
Vão responder: - "Impossível! "
Como somos atrasados!


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/engenheiros-querem-redesenhar-o-que-nao-e-reciclavel-como-os-plasticos-de-uso-unico

domingo, junho 09, 2019

O Estado da Nação, o Portugal arcaico e a opinião da Madonna




O estado atual da Nação vê-se por aqui:
Todos os dias saem nos jornais notícias de corrupção de membros do PS. mesmo assim, o PSD e o CDS estão em queda, subindo o PS. 
Ninguém quer ver em imagens ou ouvir falar do famigerado Passos Coelho, um tipo medíocre que nos enganou sem qualquer noção de ética. Prometeu mundos e fundos e acabou a gabar-se de ter ido para além da Troika. Casado com uma doce, do grupo musical As Doce, um dos primeiros grupos musicais a serem considerados pimba ou algo assim, fazendo rir toda a gente com a pobreza da letra e da música, mesmo assim chega a ser o primeiro primeiro-ministro pimba.
Ninguém quer também ouvir falar da líder do CDS, Assunção Cristas, que, por razões pessoais, cria anticorpos. É uma "tia de Cascais", criaturas fora do tempo, uma alta sociedade pobre mas intolerante, ou ainda rica mas intolerante e sem noção da realidade ou da modernidade, com uma mentalidade católica arcaica, essa mesma que a cantora Madonna conseguiu captar no seu novo disco, no vídeo Dark Ballet.
De facto, só pode gerar perplexidade ver uma figura pública como o Hermano José afirmar que esteve numa festa com a Madonna e que ela se comportou como se fosse filha de uma mulher a dias. 
O que significa tal opinião? O que diz esta opinião acerca do opiniador?
Quererá isto dizer que os portugueses, votando maioritariamente PS, esqueceram Sócrates e ignoram a corrupção? Não. Dizem que não votam, ou que só votam naqueles partidos que não prestam, como atitude de protesto.
Um desses partidos que não prestam, o PAN, está quase a entrar para o governo, por causa dessa atitude. Apesar de o seu fundador já se ter demitido, desvinculando o partido de toda e qualquer ideologia.
Partido sem ideologia, o melhor para atrair a massa acrítica.

quarta-feira, junho 05, 2019

Agustina, incompreendida? Depois de ter sido de leitura obrigatória?

Engraçado o caso da Agustina: muitíssimo homenageada numa altura em que já não é lida e em que os editores já não querem republicá-la.

Tudo isto, apesar de ter tido uma obra de leitura obrigatória no ensino secundário. Melhor promoção, é impossível. Promoção estatal. 

O exato oposto, por exemplo, de Fernando Pessoa. E outros. 

Ser incompreendida depois de tanta promoção?

Não ser lida porque ninguém a entende? 

Entendiam-na melhor há 20 anos?

Todas estas questões devem ser colocadas...

Agustina parece ser a nossa Marguerite Yourcenar, mas com uma alma mais pequena. Uma Margarete Yourcenar em ponto pequeno.

Talvez algumas pessoas não gostem da sua dureza, do seu cinismo, da sua falta de compaixão. 

Que diria Agustina, tão corrosiva que era, de comentários como este?
Só poderia concordar...


Escritora do regime, mas incompreendida...

quarta-feira, maio 29, 2019

Que estará disposto a fazer o Jegue Nicolau?


Quem votou PAN, partido que não é de direita nem de esquerda e vice-versa, não estava à espera que este partido fosse juntar-se a António Costa para viabilizar as suas políticas de direita, de esquerda e vice-versa, desde que António Costa lhe dê erva para os coelhos ou catnip para os lindos gatinhos facebookianos. 

Esta união do PAN ao PS acaba por ser uma anedota política, pois o voto no PAN era o voto de refúgio daqueles que eram contra o sistema, mas não pretendiam abster-se.

Era um pouco, como numa das míticas telenovelas brasileiras antigas, o voto no jegue  (jerico) Nicolau: como ninguém gostava dos candidatos  a Prefeito para aquela pequena terra, a maioria votou nulo e todos estes votaram no Jegue Nicolau, um burrito que andava por lá.

Talvez António Costa vá mesmo ao ponto de considerar, como o Primeiro ministro da Índia, que os animais também têm alma, aprovando esta resolução no parlamento. 
Ou mesmo vá ao ponto de proibir o engaiolamento dos pássaros, como também fez o PM indiano. A troco de...

Que estará disposto a fazer o Jegue Nicolau? 

sexta-feira, maio 24, 2019

Exposição Lisboa Plural, no Museu de Lisboa





O Museu de Lisboa, a parte situada no Palácio Pimenta, no Campo Grande, inaugurou uma exposição intitulada Lisboa Plural.
Lisboa Plural é a Lisboa, cidade mãe de cristãos, de mouros, de judeus, de escravos negros que cá nasceram ou que para cá vieram, de índios da Índia e de índios das Américas, que cá aportaram, talvez contra a vontade. 

Como se pode ver em muitas imagens desta exposição, estiveram cá e coexistiram todas essas pessoas. E onde estarão agora? Talvez na nossa pele...

A escravatura é algo que não devemos esquecer, por muito que nos apeteça dizer que não tivemos culpa nenhuma. 

Num poste antigo deste blogue sobre a abolição da escravatura, muitas pessoas se queixaram de se sentirem ofendidas, magoadas e tristes, pois dizer a verdade sobre o assunto é uma dor. 

Começa-se agora a tratar claramente o assunto e a mostrar, com imagens, o que foi esse tempo, o que foi a escravatura, o que foi o tráfico de escravos, o modo como essas pessoas sobreviveram, o heroísmo de que deram mostras, a miséria em que viveram, etc.

Tudo isto se vê na Exposição Lisboa Plural. Com visitas guiadas que nos apaixonam  por nos transportarem para outras épocas em que, apesar dos pesares, também existiu o amor, a alegria, a festa, a solidariedade de braço dado com a traição, enfim, a nossa pobre humanidade, comum a todos os povos.

A não perder.

25 de abril a sério, precisa-se

Com tanta gente a roubar e com tanta gente a ver, qualquer dia temos um 25 de abril a sério. 
Sem rosas e nem cravos e nem beijinhos.
Se nem os juízes nos salvam, se até os cardeais absolvem a torto e a direito e os juízes também, o que nos resta?
Fátima? 

quinta-feira, maio 16, 2019

Que breviairo, ou que praga! Que não quero: aqui d'el-Rei!

Ao contrário do Papa Francisco, que veicula ideias de esquerda, ao contrário do cardeal esmoler do papa, que já foi considerado o Robin dos Bosques do Vaticano, a igreja portuguesa, muito "ingenuamente", aconselhou o voto na extrema direita, para logo bater a mão no peito e dizer "mea culpa, mea culpa, mea culpa..."

Como dizia Gil Vicente nas suas "comédias", a gozar com os padres e com a absolvição que podem dar a torto e a direito, ou negar a seu bel prazer:
- Irmã, eu te assolverei co breviairo de Braga!
- Que breviairo, ou que praga! Que não quero: aqui d'dl-rei!

Esta última frase: - "Que não quero: aqui del rei!" - é a opinião do povo português, a tornar-se irreligioso e pagão, a deixar de casar pela igreja, etc..

Opinião "pública" pré-Berardo e pós-Berardo





Tão adormecido pela hipocrisia e cinismo dos seus políticos e pela sua própria ingenuidade, parece que o povo português acordou de repente, ao ver a audição de Joe Berardo.

Obrigada, Berardo! Este homem fez mais pela opinião pública de Portugal do que todas as campanhas de sensibilização e do que todos os  códigos de ética desta terra.

Poderemos talvez dividir a consciência cívica portuguesa em duas fases:

 A primeira, desde D. Afonso Henriques até maio de 2019, que poderemos considerar a fase da ingenuidade pré-Berardo, em que muitos acreditavam e achavam normal que Sócrates vivesse à custa de um amigo numa casa emprestada por um primo, 

A segunda fase, a da perspicácia pós-Berardo, iniciada em maio de 2019, em que ninguém acredita, nem por um segundo, que Berardo viva sem dinheiro, à custa dos amigos e numa casa emprestada por alguém, talvez por um primo, que não tenho dinheiro nem dívidas e que só possua de seu uma pequena garagem. 

Grande avanço da mentalidade portuguesa!

Foi uma autêntica revolução, sobretudo se pensarmos que o momentos de viragem se deveu apenas a umas gargalhadas sarcásticas de Berardo, no Parlamento Português!!! Apenas um pouco mais sarcásticas do que as gargalhadas sarcásticas de D. Afonso Henriques, de Sócrates, de António Costa, etc. Se formos  ver bem, os políticos portugueses são sempre fotografados a rir de forma sarcástica...

O português sempre foi pouco realista: o que está em causa são as gargalhas de uma criatura, ou o que está em causa é a corrupção política de várias décadas, de vários séculos, conhecidíssima de todos nós?