segunda-feira, maio 04, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento



Diz-me a cabeleireira, a quem tinha dito que não tenho medo nenhum dp coronavírus:
- Nem eu. Sabe, eu estive sempre a trabalhar. As clientes iam a minha casa.
Diz a empregada de limpeza que a máscara que traz (cirúrgica), lhe foi oferecida há um mês por uma "senhora" e desinfeta-a todos os dias, assim como faz com as luvas (descartáveis)...
"Cá se vai andando / com a cabeça entre as orelhas ".

sexta-feira, maio 01, 2020

Muguet para os leitores do blogue, no 1º de Maio






O muguet, que dai parte da tradição do primeiro de maio em França, também fazia parte dos rituais de adoração da deusa Flora entre os romanos. também conhecido como lírio do vale, parece não existir em Portugal, ou ser pouco conhecido entre nós. 
É tradição francesa enviar um raminho aos amigos. Aqui está.
Feliz 1º de maio para vocês!

sexta-feira, abril 24, 2020

25 de abril: Não Percas A Rosa!



Noite de 24 para 25 de abril. Passei varias destas noites no Botequim da Natália Correia a cantar até enrouquecer, as canções de abril. Adoro cantar e canto bem.
Parece-me bem que se comemore esta data, mas sempre como festa. 
Viva o 25 de abril, a revolução dos cravos!
Ou, como disse a Natália no título de um seu livro: "Não Percas A Rosa!".

Trump e as injecções de lixívia

O Trump recomenda injeções de lixívia. Acho bem. Para ele e para os que votaram nele.

quinta-feira, abril 23, 2020

Dia Mundial do Livro

Neste Dia Mundial do Livro, vamos expor alguns livros de que gostamos. Não aqueles de que gostamos mais, pois esse ficam para outra ocasião. 

Aqui vão alguns dos meus livros preferidos, com legendas.





Ao fazer esta seleção, descubro que, algures no tempo, uma qualquer empregada de limpeza decidiu arrumar os meus livros por tamanhos. Ou talvez por cores. Teve razão. Os ebooks não ocupam espaço material e ficam logo por ordem. 
Apetece-me imenso fazer uma fogueira com todos os meus livros e virar limpadora obsessiva compulsiva.
Até lá... A seleção possível, pois não sei dos outros. Lol.





Mais cinco livros de que gosto.
Dois deles, ou talvez todos, por razões que são óbvias.

sexta-feira, abril 17, 2020

Professores alunos, tudo ao natural em "Txitxas Life"






Acho este site engraçadíssimo, alguns alunos tratam a professora de inglês como teacher, Às vezes com má pronuncia do Inglês, portanto, este site chama-se Txitxas Life.
Os próximos tempos vão trazer matéria risível aos molhos para esta txitxa, que está em casa, sozinha e feliz com os gatos, ao contrário dos alunos, pais, mães, etc. que estão na maior bagunça , digamos, na real life.
Os alunos têm nomes improváveis, mas parecidos com os nomes reais.
Esta banda desenhada é um misto de "Criada Malcriada" (com desenhos muito mal feitos mas engraçados por isso mesmo) e de outros programas humorísticos, como os de Hermano José, mas mais ingénua.
O Arlindo Ricardo ou o Arnaldo Sérgio não são propriamente criaturas ridículas por se chamarem assim,  por pertencerem a um determinado nível sócio-económico como nos programas do Hermano José, são miúdos a quem puseram este nome por qualquer razão. Que culpa tem alguém do nome que lhe foi posto e que tem de ostentar toda a vida, com sentidos e significados diferentes de década para década

terça-feira, abril 14, 2020

Religião católica e contágio






O porta-paz ou Pax, que substituiu o beijo na missa da Idade Média, deixou de ser usado por razões higiênicas e voltou a ser substituído, mais tarde já no século XX pelo beijo entre as pessoas.
Era uma placa com imagens sagradas, podia ser muito simples ou podia ser uma jóia, com uma pega por trás, dada a beijar durante a missa.


(Imagens retiradas da Internet).


Beijo na cruz e coronavírus

A caridade católica mata velhinhos caridosamente nos lares, contagiando-os com o coronavírus ao darem-lhes a cruz beijar na Páscoa.
Encostando o crucifixo aos lábios quase frios dos moribundos.
Para quê a eutanásia? Basta apanhar o coronavirus na imagem de Cristo, muito beijada e muito babujada. Desinfectada. Reinfetada... Voltada a desinfetar e a reinfetar... Sempre é melhor o martírio do que a eutanásia.

quinta-feira, abril 02, 2020

Boicote? Não, isto é o nosso trabalho normal


Uma minha colega e amiga diz, com razão, que não existe outra profissão em que, enquanto tu estás a tentar trabalhar, há várias pessoas a tentarem ativamente boicotar o teu trabalho. Como se tu estivesses ao computador e houvesse pessoas a desligar o teclado e o rato. Isto é quase o mínimo que os alunos nos fazem. Entretanto temos de reconectar os cabos e reiniciar o computador, no meio de grande algazarra. Se passamos um documentário sobre a poesia de Camões, descobrem que as colunas têm Bluetooth e põem como banda um jogo de futebol. Uma menina mais amorosa diz-nos ao ouvido: - Setôra, desligue o Bluetooth. - Que é isso? E agora os pais, com os filhos a fazerem isto twenty-four-seven, rezam pelo nosso regresso ao trabalho. - Curiosamente, nós também queremos regressar - afirma uma professora nossa conhecida.

quarta-feira, abril 01, 2020

Dilemas da esquerda

Uma coisa que não tem graça nenhuma, enfim, tem alguma graça, não, não tem nenhuma! Enfim, este meu dilema vai continuar...
É esta: entre as grandes vítimas deste enclausuramento, estão os carteiristas e demais ladrões. Roubar carteiras a quem, se não há ninguém nas ruas? Assaltar casas como, se as casas estão cheias de gente?
Restam-lhes, coitados, os serviços sociais e as obras de caridade. Esperemos que não roubem os fundos dessas instituições.
Ser de esquerda tem as suas idiossincrasias, mas também tem estas incoerências…

Ó Cóvide Dezanove!

Se o vírus fosse português, toda a gente, primeiro o Herman José e depois toda agente, fazia pouco do nome dele:

- Ó Cóvide Ronaldo!
- Ó Cóvida Venessa!

Acabava por emigrar pararam terra mais tolerante e simpática. Que culpa tenho eu do nome que me puseram? - Diria.

quinta-feira, março 26, 2020

Matar o Bicho

                                                              

As autoridades aconselham a gargarejar com água morna e sal para matar o bicho e recomendam outras coisas igualmente desagradáveis. A única vez que tentei fazer tal coisa, engasguei-me e expeli um chuveiro de água e sal para todo o espelho da casa de banho. Vocês conseguem? 
Pelo contrário, há uma maneira antiga e muito moderna de matar o bicho: matá-lo com álcool.
Não desespere ao pensar que deve fazer isso com álcool etílico. Até porque não existe tal coisa à venda, neste momento.
Os enólogos portugueses aconselham um copinho de vinho tinto, que, além de álcool, contém poli-nao-sei-o-quê, talvez polifenóis, ou algo assim, totalmente fatais para o bicho.
Se quiser ser mais radical, um pouquinho de nada de Gin puro (o Gin foi inventado como medicamento) ou um whisky puro. 
Não exagere. Uma garrafa inteira, bebida toda de uma vez, mata demasiados bichos, incluindo os bichos bons! 
E às vezes, até mata o bicho principal, ou seja, você.

Você não acreditou? Então, clique neste link e leia.


O novo coronavírus morre no vinho? Enólogos espanhóis respondem

segunda-feira, março 23, 2020

Quantas bolas... de gelado



Havia, no Centro Comercial Amoreiras, uma minúscula gelataria, só com duas mesas coladas uma à outra.
Num fm de tarde de domingo, sentaram-se, ao meu lado, uma mulher obesa com quatro bolas de gelado e cone comestível, com um homem magro, tomando um café expresso.
De repente, ele começou a falar, a criticar, a acusar, a lamentar e quase a chorar. 
Tinha casado com uma mulher magra e elegante. Se não podes resistir a um gelado, não podias ao menos comer só dias bolas de gelado como esta senhora aqui ao lado que nem é gorda? Cada vez estas mais gorda! Cada vez comes mais. É só comidas que engordam, quatro bolas de gelado!!!
A senhora não falava, não respondia, absorta no ato de lamber as quatro bolas, talvez já sem sabor.
Quantas mais conversas desoladas e insípidas, quantas mais bolas lambidas desconsoladamente... 
Que será feito destas duas pessoas, talvez agora, com a quarentena obrigatória por causa do Coronavírus, isoladas e confinadas uma à outra, ela cada vez mais obesa, ele cada vez mais desesperado, cada vez mais magro, muito mais sós do que se estivessem mesmo sós, talvez vivendo numa cave sem janelas e sem sol... 
A solidão pode ser feliz.

sábado, março 21, 2020

Dia da Poesia e início da primavera - Homenagem a Baudelaire




Este tem sido um dos meus poemas preferidos, "Elévation", mas espero que deixe de o ser. Baudelaire leva o seu espírito para fora do mundo, pairando por cima das esferas...
Mas talvez seja melhor deixarmos que o nosso espírito fique neste mundo. Talvez, ou talvez não...

Partilho-o, primeiro em tradução, depois no original.


Elevação

Por cima dos paúis, das montanhas agrestes,
Dos rudes alcantis, das nuvens e do mar,
Muito acima do sol, muito acima do ar,
Para além do confim dos páramos celestes,


Paira o espírito meu com toda a agilidade,
Como um bom nadador, que na água sente gozo,
As penas a agitar, gazil, voluptuoso,
Através das regiões da etérea imensidade.


Eleva o vôo teu longe das montureiras,
Vai-te purificar no éter superior,
E bebe, como um puro e sagrado licor,
A alvinitente luz das límpidas clareiras!


Neste bisonho dai' de mágoas horrorosas,
Em que o fastio e a dor perseguem o mortal,
Feliz de quem puder, numa ascensão ideal,
Atingir as mansões ridentes, luminosas!


De quem, pela manhã, andorinha veloz,
Aos domínios do céu o pensamento erguer,
— Que paire sobre a vida, e saiba compreender
A linguagem da flor e das coisas sem voz!


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães



Elévation

Au-dessus des étangs, au-dessus des vallées,
Des montagnes, des bois, des nuages, des mers,
Par delà le soleil, par delà les éthers,
Par delà les confins des sphères étoilées,

Mon esprit, tu te meus avec agilité,
Et, comme un bon nageur qui se pâme dans l'onde,
Tu sillonnes gaiement l'immensité profonde
Avec une indicible et mâle volupté.

Envole-toi bien loin de ces miasmes morbides;
Va te purifier dans l'air supérieur,
Et bois, comme une pure et divine liqueur,
Le feu clair qui remplit les espaces limpides.

Derrière les ennuis et les vastes chagrins

Qui chargent de leur poids l'existence brumeuse,
Heureux celui qui peut d'une aile vigoureuse
S'élancer vers les champs lumineux et sereins; 

Celui dont les pensers, comme des alouettes,
Vers les cieux le matin prennent un libre essor,
- Qui plane sur la vie, et comprend sans effort
Le langage des fleurs et des choses muettes!


Charles Baudelaire


(Imagem retirada ad Internet)

segunda-feira, março 16, 2020

Esconjuro contra o Coronavírus


Ó nuvenzinha do ar chove, chove, chove,
Para afogar o bicho do Covid 19.

Santinhos do céu e mais a Santa Luzia, 
Livrai-nos desta porcaria desta pandemia.

Para matar o bicho nem precisamos de arsénico, 
Basta-nos esta modernice do papel higiénico

sexta-feira, março 06, 2020

Theremin



Este instrumento musical toca-se só com a energia das mãos, sem encostar as mãos e o som parece uma voz feminina. 
Chama-se Theremin.

domingo, fevereiro 09, 2020

Racismo e anti-racismo



Quando vivi no Algarve, tive uma amiga muito bonita, muito querida, normalmente inteligente, mas que não tinha a quarta classe, a escolaridade obrigatória na época, teria só a segunda ou terceira. Sentia-se muito inferiorizada perante os amigos e amigas que até tinham o nono ano e que estavam sempre a mostrar que eram muito cultos, falando de coisas de que ela não sabia falar, mas não se sentia mal comigo, à época professora do Liceu António Aleixo. Conversávamos muito na praia pequena ao lado da praia da Rocha, para onde íamos às vezes, ou nos bares circundantes.
Não tinha a quarta classe, porquê? 
Quando vivia em África, muito pequenina, a professora e os colegas batiam-lhe por ser branca. Quando, pouco depois, veio para Portimão, na descolonização, a professora e os colegas batiam-lhe por ser preta. Era mulata.
Perante os atuais antirracistas militantes, que são de esquerda como eu, com quem tenho discutido estes assuntos, a menina só foi vítima de racismo em Portimão. Em Moçambique, ou Angola, não me lembro, era apenas uma perigosa colonialista imperialista.

Esta discussão faz sentido atualmente, com as Joacines e os Mamadus da vida... 
Discutir tudo com a inteligência, com a razão e com a lógica, é necessário.

(Como não havia ainda redes sociais nessa época, perdi o contacto com esta amiga, que foi viver para os Estados Unidos, casada com um americano. Tudo está bem quando acaba em bem!).


Foto: Praia de areia preta, Ilha de Stromboli, Itália. Foto do blogue.

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Para quando uma "marselfie" do Marcelo com o Rui Pinto em liberdade?






Heróis do mar: Rui Pinto, ou o que finge tirar um bébé do caixote do lixo, recebendo logo um apartamento em Cascais, enquanto os verdadeiro salvadores, não heróis, claro, continuam a dormir na rua.


Como explicar que o "nosso" Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, dê medalhas e elogios e selfies ao grande "herói" que fingiu resgatar o bebé do caixote do lixo, mas deixe estar na cadeia o Rui Pinto? Será que tem telhados de vidro?

E cá vamos, cantando e rindo, com as Joacines a fazerem-nos pensar e discutir questiúnculas, como  a  importância política da gaguez ou a saia dos assessores. 

Mais uma vez os nossos políticos nos envergonham perante o mundo.

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terça-feira, janeiro 21, 2020

Ironia das ironias, tudo é ironia







Será que os portugueses são assim tão estúpidos? Ou será que os políticos portugueses não são capazes de entender a mudança que ocorre em Portugal e no mundo?
Quando digo políticos portugueses, tanto me refiro ao Marcelo como à Joacine.
Ou aos políticos que sempre lidaram bem com a Isabel dos Santos e o pai, mas que ainda se entendem melhor (ou pior, melhor ou pior é igual) com o atual governo de Angola.
Vocês não acham que esta gente ainda vive no século XX? E que esta gente pensa que nós ainda vivemos no século XIX?


Imagens retiradas da imprensa:
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Angola propõe-se a reduzir pobreza extrema a três milhões de pessoas até 2022