quarta-feira, junho 17, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento: As máscaras e a Santa Inquisição



A nossa sociedade, que teve a Inquisição durante séculos, ainda tem um pendor muito inquisitorial, sobretudo em Lisboa. Foi a primeira impressão negativa que tive quando vim para cá, há muito tempo, é a impressão que continuo a ter.
Isto nota-se muito agora, desde que, a partir de um determinado dia, se tornou obrigatório o uso de máscara. A partir do minuto zero desse dia, cai tudo em cima de quem não tem máscara, ou a esqueceu, ou a tem colocada abaixo do nariz...
Isto não vai desaparecer em breve, porque as pessoas adoram controlar-se umas às outras. 

Até agora, não tinham pretexto, agora têm.

Por outro lado, quando, em Lisboa, vemos uma muçulmana de rosto tapado (aliás, não vemos, as pessoas de outras culturas não se atrevem  usar aqui os seus trajos, ainda bem no caso das muçulmanas) logo receamos as consequências de alguém andar na cidade de rosto tapado e de identidade desconhecida. 
Mas tudo muda quando o problema nada tem a ver com diferentes culturas, claro.

terça-feira, junho 09, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento: continuem a espalhar o terror, please!




Agora, que muitas pessoas passam horas frente  o televisor a ver e ouvir notícias de terror sobre o coronavírus, surge também uma curiosa notícia: no rio Douro, em Espanha, está um crocodilo do Nilo, perigosíssimo e pesando 250 Kgs. Enorme!!!!
Querem ir para as praias fluviais? Olhem que o crocodilo rapidamente vem de Espanha para Portugal! 
Lá fora, fora de casa, é um lugar perigoso.
Embora os jornalistas, os jornais, as televisões, as rádios onde trabalham adorem veicular estas notícias, há sempre um basta!
"Basta Pum! Basta!" - no dizer de Almada Negreiros.
Então, parece que afinal, em vez do crocodilo horrendo, era só uma lontrinha querida. Com um peso  que oscila entre os 8 e os 18 Kgs... e com um arzinho doce... 
Só têm uma coisa em comum: o homem tira-lhes pele, para a usar.

Continuem a espalhar o terror, please! We love that!!!!
(Fotos retiradas da Internet) 

Diário da quarentena e do desconfinamento: alguém espera ficar cá para sempre?



Existe a ideia de fazer um passaporte para quem já teve o Covid 19, ou para quem passou num teste de imunidade. essas pessoas poderiam ir a todo o lado, mesmo em caso de nova quarentena.
Vem logo alguém dizer que nada disso conta, quem já teve pode voltar a ter, etc…
A OMS afirma que os assintomáticos não constituem perigo, pois não contagiam, vem logo uma criatura, médico, investigador, jornalista dizer que os assintomáticos são perigosíssimos. 
Alguém aguenta isto? 
A culpa é dos confinados por vocação, que dão ouvidos a esta gente e que permitem todo o tipo de lavagem ao cérebro. A eles e a todos.
Vamos tentar vivera nossa vida sem o terror das doenças? 
Todos podemos morrer. De susto, de medo, de tédio, de gripe, de coronavirus, de acidente, afogados na praia, de terramoto com o telhado em cima da cabeça…
Alguém espera ficar cá para sempre? Não? 

Então, coragem!

domingo, junho 07, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento: a eficácia que se avaria

Fúrias

Escorraçadas do pecado e do sagrado 
Habitam agora a mais íntima humildade 
Do quotidiano. São 
Torneira que se estraga atraso de autocarro 
Sopa que transborda na panela 
Caneta que se perde aspirador que não aspira 
Táxi que não há recibo estraviado 
Empurrão cotovelada espera 
Burocrático desvario 

Sem clamor sem olhar 
Sem cabelos eriçados de serpentes 
Com as meticulosas mãos do dia-a-dia 
Elas nos desfiam 

Elas são a peculiar maravilha do mundo moderno 
Sem rosto e sem máscara 
Sem nome e sem sopro 
São as hidras de mil cabeças da eficácia que se avaria

Já não perseguem sacrílegos e parricidas 
Preferem vítimas inocentes 
Que de forma nenhuma as provocaram 
Por elas o dia perde seus longos planos lisos 
Seu sumo de fruta 
Sua fragrância de flor 
Seu marinho alvoroço 
E o tempo é transformado 
Em tarefa e pressa 

A contratempo. 

Sophia de Mello Breyner

domingo, maio 31, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento: E assim chega ao fim o mês de maio, sem glória




Maio cai hoje de maduro. "Maio, Maduro Maio"...

Tendo tido, este ano, muito confinamento e poucas cerejas.
Desejo-vos, desejo-nos um junho mais feliz!

Diário da quarentena e do desconfinamento: os escravos e o donos de escravos

O ensino está a criar uma elite e os escravos para essa elite. É por isso que os melhores deixam copiar os piores e lhes fazem sozinhos os trabalhos de grupo. Sabem o que estão a fazer. São como os antigos esclavagistas que engravidavam as escravas para aumentarem a mão-de-obra. Os pais dos melhores colaboram com eles e os dos piores também colaboram com os piores, ajudando a transformá-los em pequenos vigaristas. Não confundir com grandes vigaristas, porque para isso é preciso ser bom.
Antigamente os escravos não sabiam ler, agora têm o mestrado, que fazem com trabalhos emprestados ou comprados.
Isto nota-se melhor com o Ensino à Distância.
É claro que alguns da elite serão escravos nesta sociedade de tios e tias, mas podem sempre emigrar.

quinta-feira, maio 28, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento: Um Jardim Zoológico a ver outro Jardim Zoológico

Um tal Soá foi expulso do Big Brother e parece que isso é algo de muito importante, estou farta de ler este nome sem antes saber quem era e até o diretor de programas faz declaracoes muito sérias . 

Que mundo paralelo é este? As pessoas estao trancadas em casa a ver pessoas trancadas em casa? 
Um Jardim Zoológico a ver outro Jardim Zoológico?

terça-feira, maio 26, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento

Só há pouco tempo inventaram andar de máscara, mas já causa inúmeros problemas que estão para durar. 
Já no dia seguinte àquele em que foi obrigatório o seu uso em certos locais, em todo o lado se ouviam gritos histéricos: ponha a máscara, não tire a máscara. 
Como o governo não vai decidir que a certa altura já não é necessário usar tal coisa, vamos ter que alombar com a máscara para sempre.

Algumas pessoas adoram mandar...

Diário da quarentena e do desconfinamento: ensino a distância

Aula virtual síncrona: 
Professora: - Manuel, você disse que fez o trabalho, mas quando lhe peço para ler uma qualquer resposta, não lê, por isso vou considerar que não fez. E se não deixa imediatamente de filmar a aula com o telemóvel, marco-lhe falta disciplinar e excluo-o da aula.
Manuel: - A setôra está sempre a embirrar comigo. Ai há faltas disciplinares nestas aulas?!
Pai do Manuel: - Quem é essa professora que está a mandar vir contigo? 
Manuel: - É fulana de tal!
Pai do Manuel: - É professora de quê?
Manuel: - De português!
Rita: - É a tal!
Risos de toda a turma

Cenas dos próximos capítulos... Outra turma... Alunos mais velhos...

(Vozes muito iradas, já para lá de um ataque de nervos)
- E tu cala- te, ouvistes?
- Cala-te tu. Cala-te tu! Estou farta!
Tomás: - Ó pá, desliguem o som! Nós também temos pais! Não são só vocês! Farto disto tudo, que horror! Não se aguenta!
(Todos desligam o som).

segunda-feira, maio 04, 2020

Diário da quarentena e do desconfinamento



Diz-me a cabeleireira, a quem tinha dito que não tenho medo nenhum dp coronavírus:
- Nem eu. Sabe, eu estive sempre a trabalhar. As clientes iam a minha casa.
Diz a empregada de limpeza que a máscara que traz (cirúrgica), lhe foi oferecida há um mês por uma "senhora" e desinfeta-a todos os dias, assim como faz com as luvas (descartáveis)...
"Cá se vai andando / com a cabeça entre as orelhas ".

sexta-feira, maio 01, 2020

Muguet para os leitores do blogue, no 1º de Maio






O muguet, que dai parte da tradição do primeiro de maio em França, também fazia parte dos rituais de adoração da deusa Flora entre os romanos. também conhecido como lírio do vale, parece não existir em Portugal, ou ser pouco conhecido entre nós. 
É tradição francesa enviar um raminho aos amigos. Aqui está.
Feliz 1º de maio para vocês!

sexta-feira, abril 24, 2020

25 de abril: Não Percas A Rosa!



Noite de 24 para 25 de abril. Passei varias destas noites no Botequim da Natália Correia a cantar até enrouquecer, as canções de abril. Adoro cantar e canto bem.
Parece-me bem que se comemore esta data, mas sempre como festa. 
Viva o 25 de abril, a revolução dos cravos!
Ou, como disse a Natália no título de um seu livro: "Não Percas A Rosa!".

Trump e as injecções de lixívia

O Trump recomenda injeções de lixívia. Acho bem. Para ele e para os que votaram nele.

quinta-feira, abril 23, 2020

Dia Mundial do Livro

Neste Dia Mundial do Livro, vamos expor alguns livros de que gostamos. Não aqueles de que gostamos mais, pois esse ficam para outra ocasião. 

Aqui vão alguns dos meus livros preferidos, com legendas.





Ao fazer esta seleção, descubro que, algures no tempo, uma qualquer empregada de limpeza decidiu arrumar os meus livros por tamanhos. Ou talvez por cores. Teve razão. Os ebooks não ocupam espaço material e ficam logo por ordem. 
Apetece-me imenso fazer uma fogueira com todos os meus livros e virar limpadora obsessiva compulsiva.
Até lá... A seleção possível, pois não sei dos outros. Lol.





Mais cinco livros de que gosto.
Dois deles, ou talvez todos, por razões que são óbvias.

sexta-feira, abril 17, 2020

Professores alunos, tudo ao natural em "Txitxas Life"






Acho este site engraçadíssimo, alguns alunos tratam a professora de inglês como teacher, Às vezes com má pronuncia do Inglês, portanto, este site chama-se Txitxas Life.
Os próximos tempos vão trazer matéria risível aos molhos para esta txitxa, que está em casa, sozinha e feliz com os gatos, ao contrário dos alunos, pais, mães, etc. que estão na maior bagunça , digamos, na real life.
Os alunos têm nomes improváveis, mas parecidos com os nomes reais.
Esta banda desenhada é um misto de "Criada Malcriada" (com desenhos muito mal feitos mas engraçados por isso mesmo) e de outros programas humorísticos, como os de Hermano José, mas mais ingénua.
O Arlindo Ricardo ou o Arnaldo Sérgio não são propriamente criaturas ridículas por se chamarem assim,  por pertencerem a um determinado nível sócio-económico como nos programas do Hermano José, são miúdos a quem puseram este nome por qualquer razão. Que culpa tem alguém do nome que lhe foi posto e que tem de ostentar toda a vida, com sentidos e significados diferentes de década para década

terça-feira, abril 14, 2020

Religião católica e contágio






O porta-paz ou Pax, que substituiu o beijo na missa da Idade Média, deixou de ser usado por razões higiênicas e voltou a ser substituído, mais tarde já no século XX pelo beijo entre as pessoas.
Era uma placa com imagens sagradas, podia ser muito simples ou podia ser uma jóia, com uma pega por trás, dada a beijar durante a missa.


(Imagens retiradas da Internet).


Beijo na cruz e coronavírus

A caridade católica mata velhinhos caridosamente nos lares, contagiando-os com o coronavírus ao darem-lhes a cruz beijar na Páscoa.
Encostando o crucifixo aos lábios quase frios dos moribundos.
Para quê a eutanásia? Basta apanhar o coronavirus na imagem de Cristo, muito beijada e muito babujada. Desinfectada. Reinfetada... Voltada a desinfetar e a reinfetar... Sempre é melhor o martírio do que a eutanásia.

quinta-feira, abril 02, 2020

Boicote? Não, isto é o nosso trabalho normal


Uma minha colega e amiga diz, com razão, que não existe outra profissão em que, enquanto tu estás a tentar trabalhar, há várias pessoas a tentarem ativamente boicotar o teu trabalho. Como se tu estivesses ao computador e houvesse pessoas a desligar o teclado e o rato. Isto é quase o mínimo que os alunos nos fazem. Entretanto temos de reconectar os cabos e reiniciar o computador, no meio de grande algazarra. Se passamos um documentário sobre a poesia de Camões, descobrem que as colunas têm Bluetooth e põem como banda um jogo de futebol. Uma menina mais amorosa diz-nos ao ouvido: - Setôra, desligue o Bluetooth. - Que é isso? E agora os pais, com os filhos a fazerem isto twenty-four-seven, rezam pelo nosso regresso ao trabalho. - Curiosamente, nós também queremos regressar - afirma uma professora nossa conhecida.

quarta-feira, abril 01, 2020

Dilemas da esquerda

Uma coisa que não tem graça nenhuma, enfim, tem alguma graça, não, não tem nenhuma! Enfim, este meu dilema vai continuar...
É esta: entre as grandes vítimas deste enclausuramento, estão os carteiristas e demais ladrões. Roubar carteiras a quem, se não há ninguém nas ruas? Assaltar casas como, se as casas estão cheias de gente?
Restam-lhes, coitados, os serviços sociais e as obras de caridade. Esperemos que não roubem os fundos dessas instituições.
Ser de esquerda tem as suas idiossincrasias, mas também tem estas incoerências…

Ó Cóvide Dezanove!

Se o vírus fosse português, toda a gente, primeiro o Herman José e depois toda agente, fazia pouco do nome dele:

- Ó Cóvide Ronaldo!
- Ó Cóvida Venessa!

Acabava por emigrar pararam terra mais tolerante e simpática. Que culpa tenho eu do nome que me puseram? - Diria.