quinta-feira, novembro 04, 2010

Retrato de Portugal por Eça de Queirós

  "- Pois eu tenho estudado muito o nosso amigo Gonçalo Mondes. E sabem vocês, sabe o senhor Padre Soeiro quem ele me lembra?
     - Quem?

    - Talvez se riam. Mas eu sustento a semelhança. Aquele todo de Gonçalo, a franqueza, a doçura, a bondade, a imensa bondade, que notou o senhor Padre Soeiro... Os fogachos e entusiasmos, que acabam logo em fumo, e juntamente muita persistência, muito aferro quando se fila à sua idéia. A generosidade, o desleixo, a constante trapalhada nos negócios, sentimentos de muita honra, uns escrúpulos quase pueris, não verdade?... A imaginação que o leva sempre a exagerar até à mentira, e ao mesmo tempo um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza, a facilidade em compreender, em apanhar... A esperança constante nalgum milagre, no velho milagre de Ourique, que sanará todas as dificuldades... A vaidade, o gosto de se arrebicar, de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo... Um fundo de melancolia, apesar de tão palrador, tão sociável. A desconfiança terrível de si mesmo que o acobarda, o encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa... Até aquela antigüidade de raça, aqui pegada à sua velha torre, há mil anos... Até agora aquele arranque para a África... Assim todo completo, com o bem, com o mal, sabem vocês quem ele me lembra?
    -  Quem?...
    -  Portugal."

                                                                 in A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós

terça-feira, novembro 02, 2010

Viajar... sozinho, talvez seja a melhor maneira de estar fora


Esta senhora é exactamente o que parece. E também o que não se imagina.
Parece uma minúscula inglesa, parece típica, foi e talvez pareça, enfermeira na Segunda Guerra Mundial...
Não parece ter noventa e tal anos, 95 ou 96, talvez não pareça que viaja sozinha, tendo vindo de Inglaterra a Lisboa apanhar o navio Funchal e regressando ao seu país.
Sozinha é uma maneira de dizer... acarinhada por toda a gente, desde viajantes a tripulantes, pois é muito querida e muito alegre.
E inspira-nos.
Algumas pessoas, talvez muitas, estão-se nas tintas para o que é normal ou deixa de ser... normal é quase sempre sinónimo de vulgar.
Não é vulgar chegar a esta idade e poder viajar sozinha, mas muita gente não acha normal viajar sozinho em nenhuma idade.

E chegar a esta idade com uma enorme doçura...

Conheci-a num encontro promovido pelo navio, de pessoas que viajavam sozinhas, ou seja, "singles".
Fui ver o que havia, não esperando grande coisa, mas na promessa de haver um drink grátis, quando as bebidas são todas caras, incluindo a água, ao contrário da alimentação, que é toda grátis. E havia tempestade, tudo baloiçava, o melhor era estar confortavelmente sentado.

O que encontrei ali foi: um ambiente hiper-deprimente de mulheres divorciadas, um único homem viúvo e deprimido, e esta mulher e outra de oitenta e tal anos, muitíssimo bem dispostas, que despertaram toda a minha admiração. 

Quando fizemos um brinde, esta senhora, empoleirada no braço da minha poltrona, tocou no meu copo e disse-me, em voz baixa:

- Taste this moment.

Alheada da tristeza que os outros contavam, num português que não entendia, quantos "moments" terá esta mulher saboreado, feliz, fora do mundo?
Viajar sozinho talvez seja a melhor maneira de estar fora.

(P.S.: Coloquei aqui alguns posts sob o tema Vivíssimas. Clicar em baixo nessa palavra. Surpreendente.)

segunda-feira, novembro 01, 2010

PORTUGAL: quem o viu e quem o vê



Este título tão popular esconde o conteúdo tão literário deste post. São textos de autores portugueses dos séculos XIX e XX, que retratam a situação portuguesa exactamente como ela é hoje. Sempre por culpa de politicos corruptos (e incompetentes).

Ouçamos Eça de Queirós, prosador do Sec. XIX.
"Nós estamos num estado comparável sómente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá ...vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par , a Grécia e Portugal". (In As Farpas)
Ou Guerra Junqueiro, poeta do Século XIX
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
Guerra Junqueiro, 1896
Ouçamos um poeta do Sec. XX - (século passado), José Régio, escrito em 1969
 Soneto quase inédito        
Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão, 

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação.  

Imagem retirada de publicidade a Portugal como destino de jogadores de Golfe. De facto, como os frondosos campos de couves e de cebolas foram transformados em campos de golfe, temos de importar as couves e as cebolas...

domingo, outubro 31, 2010

Feliz Halloween / Dia dos finados

Já pensaram nisto? Enquanto aqui celebramos angustiadamente o dia dos Finados e depois o dia de Todos os Santos, indo ao cemitério pôr flores... (pergunto-me quantas pessoas ainda farão isso... na capital, na província...)
Enquanto aqui celebramos angustiadamente o dia dos Finados, tal como em todos os países de religião predominantemente católica, nos USA divertem-se com... quase a mesma coisa: fantasmas, medos, superstições, dia das bruxas.
Nada mais natural. Esconjuram a angústia da morte e o medo dos fantasmas, festejam e dão presentes uns aos outros. E até dizem:
Feliz Halloween


Como estamos na aldeia global, que quase inaugurámos, nós os portugueses, a crer em alguns historiadores e filósofos, ligamos a net no Google e aparece-nos logo uma macacada muito divertida sobre o assunto. Contrastando com o nossa triste comemoração.

sábado, outubro 30, 2010

O leite com chocolate quase fazia cair a Ré Pública

Alguma vez vos passou pela cabeça que a criatura*, depois de muito discutir, ou talvez seja melhor dizer, como dizem uns jovens que conheço, depois de muito "refilar, ia acabar por assinar o Orçamento de Estado, mudando apenas o imposto sobre o leite com chocolate?


Na nossa sociedade, as crianças têm muito poder. Se  o José Pinto aumentasse o imposto sobre as Barbies e os Nenucos, ou lá o que é, caía o governo, o Presidente, (os quais já deviam ter caído da tripeça há anos) e a  Ré Pública. A qual está quase a cair (da tripeça)/ (bipeça).




O quê? Ai eles cederam em mais algumas coisas, foi? Não entendi essa parte. Só percebi que vou ganhar muito menos e que vou pagar muito mais por tudo, excepto pelo leite com chocolate. Mas, como nunca bebo leite com chocolate, não vou notar diferença nenhuma para melhor.


* Criatura: refiro-me ao líder da dita "oposição".

sexta-feira, outubro 29, 2010

Homenagem a Caravaggio



Cavadenti, Caravaggio - 1607/1610, Florença, Palazzo Pitti (Clicar por cima para ampliar)

Quando, em Agosto, passei por Florença, no diário de bordo que aqui publiquei, prometi colocar mais tarde obras de arte que vi, sobretudo no museu Palazzo Pitti.


Já agora, o principal defeito dos cruzeiros é não termos tempo para ver a terra e a  sua variedade. (Não, acho que me enganei, queria dizer), digo, a principal qualidade dos cruzeiros é não termos tempo para ver a terra imunda, com as suas variedades de mal, de imperfeição e de lixo. Nem de beleza, (claro!).

Agora que se aproxima o Inverno, vou fazer como  a formiga, quando antes fui cigarra e partilhar o que guardei para o tempo da chuva. Aqui e nos Escrevedoiros.


O quadro é de Caravaggio, pintor que teve uma imensa exposição em Itália, abarcando vários museus, por ser o seu centenário. E mesmo mais do que uma em diferentes espaços de Florença.
A exposição que vi e que está no Palazzo Pitti, chama-se Caravaggio e Caravaggieschi, ou seja, os que pintavam como Caravaggio. (Lê-se Caravagiesqui). 
Poucas obras tinha do autor, sendo uma delas esta: Cavadenti. A tradução melhor para isto seria como em brasileiro, Tira Dentes. Quanto ao resto, a imagem fala por si.


Parece antiquada? Em Marrocos, na praça central de Marrakesh, que deve ser muito moderna para o local, vêem-se tendas em que se tiram dentes por este método. Também se vêem, espalhadas pelo chão, dentaduras modernas. Podemos experimentar uma e outra e voltar a colocá-las no chão de terra. Dá para imaginar:
- Estás com os dentes a cair e a doer? Vai a Marrakesh. Na praça central, tiram-tos e põem-te uma dentadura moderna.


Uma fotografia faria melhor? Os homens que estavam a ver não eram mesmo nada "metrossexuais". LOL.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Bácoras

A Nadinha tem uma amiga que é professora e que lhe contou isto.
N' Os Lusíadas, há um episódio chamado "A Praia das lágrimas" em que é narrada a despedida, no Restelo, dos marinheiros que vão na viagem de Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia. É um episódio muito comovente, em que as mulheres e as mães lamentam a sua solidão e os perigos que eles vão passar. Uma mãe diz ao filho que não vá, porque vai ser comido pelos peixes "dos pexes mantimento".
Num teste sobre este assunto, do 9º ano, em que se pedia para interpretar esta passagem, um aluno afirma que a mãe tenta convencer o filho a não ir, dizendo-lhe que só vai comer peixe durante meses.




Que horror! Quem é que gosta de peixe? Na verdade, comiam coisas horríveis, biscoitos duros e podres, mas nada de peixe.
Já agora, vale sempre a pena ler o nosso Camões (Tio Luís).




«Qual vai dizendo: —«Ó filho, a quem eu tinha 
pera refrigério e doce amparo 
Desta cansada já velhice minha, 
Que em choro acabará, penoso e amaro 
Porque me deixas, mísera e mesquinha? 
Porque de mi te vás, ó filho caro, 
A fazer o funéreo enterramento 
Onde sejas de pexes mantimento?». 

Qual em cabelo: —«Ó doce e amado esposo, 
Sem quem não quis Amor que viver possa, 
Porque is aventurar ao mar iroso 
Essa vida que é minha e não é vossa? 
Como, por um caminho duvidoso, 
Vos esquece a afeição tão doce nossa? 
Nosso amor, nosso vão contentamento, 
Quereis que com as velas leve o vento?» 

sábado, outubro 23, 2010

Extasiarmo-nos com a beleza do mundo

Há tempos iniciei o que pretende ser um percurso espiritual. E de repente, descobri que não estava no princípio do caminho, mas talvez a meio de qualquer coisa: tanto os místicos cristãos, que praticam a meditação em silêncio, como os místicos orientais e outros, consideram que o mais importante é extasiarmo-nos com a beleza do mundo. 
Sim, extasiarmo-nos com a beleza do mundo, como eu sempre fiz, desde que me lembro. 


A maluca genial da minha médica naturista diz mesmo que vivemos no Paraíso. É tudo tão belo! O mar, a terra, diz ela.
E essa atitude de êxtase deverá conduzir-nos à alegria, à felicidade e finalmente à saúde física e mental. 


Fica, no entanto, um problema: extasiarmo-nos com a beleza do mundo, está bem, mas como fazer para não ficar completamente alheado e não deixar passar sem protesto estas políticas e estes políticos oportunistas, que empobrecem todo o mundo?
Como resposta a esta pergunta, criei este blogue, que contrasta completamente com o Escrevedoiros, onde me dou ao luxo de não criticar nada nem ninguém, de me encantar com tudo o que é belo ou bom.


E esta minha dúvida talvez não tenha razão de ser: a maior parte das pessoas que conheço conforma-se com tudo, não contesta nem protesta e também não se extasia com a beleza do mundo. Não é alegre nem feliz...


Procurar alguma coisa, seja lá o que for, é bom. 
Encontraremos o que existir

sexta-feira, outubro 22, 2010

Rankings das Escolas

O Ranking das Escolas aparece todos os anos a asseverar verdades de fé. Esta escola é a melhor, esta é péssima, etc.
Já foi muito falado que umas têm alunos de bom nível socio-económico-cultural e com explicadores a
tudo,  outras pelo contrário... 
Não vou repetir o óbvio.


Neste momento existem, nas escolas secundárias portuguesas, professores que têm o Mestrado e o Doutoramento, professores que têm o Bacharelato e jovens professores que fizeram uma licenciatura de três anos numa ESE (Escola Superior de Educação)* das Berças. Conheci professores da Ese que se viram gregos para fazer o mestrado, que compravam trabalhos para apresentar e nalguns casos, nem comprando trabalhos conseguiram. Os alunos destes são agora professores e avaliam os alunos daqueles que fizeram os Mestrados e os Doutoramentos. 
Consideremos, por exemplo, o caso da disciplina de Português: os exames de 12 º ano são de tal modo fáceis, que é quase impossível errar alguma resposta. Há, então, uns critérios que tornam impossível considerar uma resposta certa na totalidade. Ou seja, todos os alunos respondem certo no essencial, e depende da subjectividade do professor dar vinte valores ou cinco.


Estou a pensar num caso em  que uma pergunta do exame pedia figuras de estilo. Os critérios do ministério davam como exemplo 4 figuras, dizendo que havia outras. Mas alguns professores só aceitaram aquelas 4. Qualquer outra era considerada errada, embora houvesse cerca de 20, ou seja, mais 16 certas.
Sendo muito subjectivos, este e outros exames, acontece o seguinte: os alunos de uma professora de uma escola, são avaliados por uma professora de uma outra escola. Por exemplo, os alunos de uma professora que tem o doutoramento, são avaliados por uma professora que tem o bacharelato antigo e não conseguiu fazer a licenciatura, ou pelos professores que fizeram um cursinho na ESE (Escola Superior de Educação)* das Berças. E que talvez considerem errado aquilo de que nunca ouviram falar.
E vice-versa, claro. E é isto o ranking das escolas.


Por outro lado, estes professores que têm Mestrados e Doutoramentos e que estão em minoria na idade dos quarentas e cinquentas, são frequentemente marginalizados, já que estão em minoria. E até lhes são atribuídas notas más, nesta nova avaliação dos professores, depois de terem conseguido notas boas em provas incomparavelmente mais difíceis. E assim vai o ensino em Portugal.

*Estas Escolas Superiores de Educação (ESES) eram antigamente as que formavam professores primários. De repente, os professores dessas escolas passaram a dar licenciaturas. Foram obrigados a fazer mestrados, apresentando resultados imediatos, sob pena de perderem o emprego... e foi o que se viu... desde comprarem trabalhos e teses... e por aí fora...
São as novas oportunidades, particularmente interessantes para novos oportunistas.

quarta-feira, outubro 20, 2010

Globinho do mundo - visitas a este blogue

Faz agora um mês que coloquei este globinho do mundo neste blogue. E houve, neste entretanto, cerca de 1000 visitas. De vários pontos do globo: Portugal, seguido do Brasil, resto da Europa, Chile e Argentina, uma presença constante de Califórnia, Estados Unidos, esporádicas referências à Ásia, algumas a ilhas, que parecem navios no mar, mas também houve ligações de navios.
É claro que muitas pessoas não encontraram aquilo que procuravam, mas muitas outras sim. O que se pode ver no Sitemeter, ao fundo da página. Este contador, Revolver Maps, embora seja menos específico, encontra mais visitantes e consegue localizá-los no mundo, sendo nisso melhor do que o Sitemeter. Mas o  Sitemeter especifica tudo.
Um dos posts deste blogue mais procurados é sobre a frase "Navegar é preciso, viver não é preciso" que uns julgam ser de Camões, outro de Pessoa, sem ser de um nem do outro. Contribuí, de facto, para esclarecer este assunto, até porque apresento diferentes aspectos do mesmo, fundamentando-os.
São muito procurados, de Portugal e do Brasil, os contos populares, particularmente o do ancinho e os do homem e da mulher preguiçosa, que publiquei separadamente e longe uns dos outros.
Conheço outros contos populares que ainda não me dei ao trabalho de escrever, sendo desconhecidos...


Agradeço a todos os que me procuraram. Alguns por razões de crítica política, mas os meus blogues não são políticos... espero que um dia apareça um político tão bom que eu nunca o critique... ou mesmo o elogie... antes disso, parece-me do mais elementar dever cívico e pátrio e humano e humanitário denunciar esta corja que nos explora e, pior ainda, que nos corrompe.
Mas agradeço a todos e quero dizer que este blogue não seria como é se não tivesse o vosso contributo, às vezes só por ver o que vocês procuram.
Beijinhos para todos.

terça-feira, outubro 19, 2010

Chamamos a isso coragem? Só se for a alegada coragem dos criminosos?

Em França, caiu o Carmo e a Trindade só porque querem aumentar a idade da reforma para os 62  anos.
Aqui, aumentaram-na para os 65 e ninguém piou. Em parte porque isso anulou uma diferença entre funcionários públicos e trabalhadores do sector privado, que já se reformavam com 65. Mas, vejamos... que tipo de trabalho? Todos os trabalhos se podem fazer até aos 65 e já se fala em 67? Partir pedra, dar aulas, ter uma memória fabulosa, etc...?
É natural que, em função desta amostra, o tipo José Pinto (Sócrates) que pratica a assim designada política de laboratório, tenha concluído o óbvio: podemos fazer tudo, que todo o mundo se encolhe.


E assim fez, a criatura.


Quando os trabalhadores do sector privado estavam felicíssimos porque finalmente se fez justiça, a dita criatura decididiu cortar os vencimentos da função pública e, de repente, os "patrões" reivindicam o direito de também cortar os vencimentos do sector privado. Coitados dos trabalhadores do privado, muito menos protegidos e muito mais dependentes e mais próximos e mais vigiados das estruturas do poder, do que os da função pública!!!
Claro, isto pode acontecer, quando o dito José Pinto aponta como privilegiados os professores, que de repente toda a gente odeia, aos quais toda a gente se considera igual, quanto mais analfabetos mais iguais, os professores, sem distinção de professores, o inimigo público número um, a abater.
Só depois os jornais publicam os vencimentos dos boys do José Sóctrates. E alguém acredita que a criatura só ganha o "mísero" ordenado de primeiro Ministro?
Para governar assim é preciso ter lata. Outros diriam coragem.
Há criminosos que não se redimem e cometem os maiores crimes, às vezes impunemente. Chamamos a isso coragem?
Estes comentadores políticos, quanto ganham? Vão ganhar menos? Representam os nossos interesses?
Este orçamento estará bem feito? Resolverá o problema, ou será uma coisa atabalhoada?
Não podemos saber ao certo, pois este Pinto defende tanto o capital, que os jornais, que pertencem ao capital, obviamente o defendem. Cada vez mais cinzentos e cada vez menos independentes.
É o caso do Expresso. Hiper Yes Man do governo... de qualquer governo, desde que defenda os seus interesses.

segunda-feira, outubro 18, 2010

DE TANGA E A SAQUE - PARADOXO?

Não sendo a Nadinha uma política, nem sendo político este blogue,
Considerando que vivemos uma situação em que o país está a saque, como nunca esteve,
A SAQUE E DE TANGA, o que é, no mínimo paradoxal, pois quem está de tanga não pode ser saqueado, quem é saqueado não pode estar de tanga, quem saqueia, neste caso, não está mesmo nada de tanga...

Sendo assim, a Nadinha decidiu, há vários dias, fazer eco de quem entende destas coisas. E aqui vai.

Juízes estão a pagar factura por processos como "Face Oculta", alerta o dirigente sindical


Poderíamos também afirmar que "Algo está podre no reino da Dinamarca", mas infelizmente a Dinamarca está bem e recomenda-se...

sábado, outubro 16, 2010

Privilegiados? Porquê?

A propósito deste post recente, ( Dá vontade de rir, mas não tem graça nenhumarecebi um email, escrito em Francês e referindo-se à realidade francesa, mas que se pode aplicar à portuguesa.


O autor do texto propõe que se troquem as pessoas idosas pelos prisioneiros, colocando as primeiras nas prisões e estes últimos nos lares de terceira idade. E vai desenvolvendo a ideia: tomavam banho todos os dias, tinham televisor e computador, tinham roupa fornecida pela instituição, não pagavam nada, tinham enfermaria e cuidados médicos, biblioteca, etc.
É interessante esta comparação, mas é também muito estranho e ao mesmo tempo muito significativo que se fale agora tanto no assunto. Agora que o Estado Providência começa a deixar de o ser, generaliza-se a ideia de que os prisioneiros são privilegiados. No caso do post que escrevi antes, não era essa a ideia de quem me contou o episódio, mas confirma alguns pressupostos do email.
Uma mulher-a-dias que conheço, criou três filhos com o seu trabalho e a  ajuda do sogro, o marido estava sempre preso. Criou-os bem, com muito trabalho, mas queixava-se de que ele não fazia nada, não tinha de se preocupar com o que comia e tinha televisão a cores, quando ela não tinha nenhuma, nem mesmo a preto e branco. Creio que só haverá um televisor para muitos e nem sempre, mas a ideia fica...


Por outro lado, há muitos sem-abrigo que continuarão a sê-lo, a menos que alguém os ajude ou eles se ajudem, enquanto a hipótese de ir preso para ter de comer, de beber, cama, etc. não se lhes coloca.


Num post já bastante antigo conto, na primeira pessoa, o modo como uma sem-abrigo, imigrante estrangeira, conseguiu recuperar uma vida normal, com a ajuda de uma senhora. Tentei reproduzir o que ela me contou.
Jardim. Ah ah ah!

Já agora, seria caso para perguntar se os prisioneiros não deveriam trabalhar... para bem de todos...
As opiniões de que aqui faço eco não são necessariamente as minhas, saliento apenas a ocorrência e recorrência significativa destes temas.
Antigamente os prisioneiros não tinham o direito de comer à custa do Estado, só comiam do que podiam comprar ou do que lhes davam, o que seria hoje impensável.  
Daí a expressão: "quem tem amigos não morre na cadeia".
Mas estes novos direitos também geram desigualdades estranhas e não intencionais, sendo esta uma entre muitas.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Vocês elegeram esta criatura? Tudo se paga neste mundo!



É a primeira vez, se não me engano, que a cara desta criatura aparece neste blogue. O rosto bonitinho e caça-votos que muitas eleitoras acham o máximo!
Caras amigas: não sejamos femininas no mau sentido da palavra!


Este vídeo é do Blogue 31 da Armada

terça-feira, outubro 12, 2010

Dá vontade de rir, mas não tem graça nenhuma

Acabaram de me contar esta história. É verdadeira e muito intrigante.
Um homem cumpriu 12 anos de cadeia por tráfico de droga. Quando saiu, decidiu emendar-se e arranjou um emprego a carregar caixotes na Macro. Estava tudo a correr muito bem, até que lhe pediram uns papéis que faltavam... papelada sem importância, registo criminal, etc.
Mandaram-no logo embora. E alguns dias depois ele contava:
- Que faço? Já ando a dormir na rua. Já me roubaram a roupa e os cobertores... não arranjo emprego... só me resta uma solução: ir dentro. 
- E já lá está. - Conclui o meu narrador.

Pensemos nesta história: a cadeia funciona aqui como a casa da mãe ou da avó... está lá dentro com cama, mesa e roupa lavada e sem fazer nada, o que parece ser o sonho de muita gente. E pode ver televisão, o que parece ser a única ocupação dos tempos livres de quase toda a gente. Talvez até tenha uma biblioteca com livros... por outro lado, este homem de 60 anos auto-condenou-se a prisão perpétua.

Imaginemos agora a situação de alguém que também está sem emprego, sem dinheiro e sem nada. Que pode fazer? O mesmo? Talvez não.
Primeiro: não lhe ocorre esta solução.
Segundo: se lhe ocorrer esta solução, à primeira que faça é absolvido por não ter antecedentes criminais. À segunda que faça, já tem antecedentes criminais, mas poucos, por isso tem pena suspensa...
E como não tem o know-how, até pode nem conseguir ser apanhado...
-"Coitadinho, não chamem a polícia, que tem cara de boa pessoa!"

Dá vontade de rir, mas não tem graça nenhuma!

domingo, outubro 10, 2010

Apareceu hoje neste mapa um visitante que está no meio do mar, junto a África: São Tomé? Um navio?
O "Sitemeter" não dá conta dele.

sábado, outubro 09, 2010

Porque é que Portugal foi o país da União Europeia que se saiu pior, ou irá sair pior, da crise do Subprime dos Estados Unidos da América?
Não foi já o melhor aluno da CEE? Não teve um milagre económico?

Cortar na Despesa Pública

Não sendo a Nadinha política nem economista, resolveu aqui fazer eco de quem mais entende destas coisas da crise e do corte nas despesas.
Vejam este texto do blogue

Quarta República

Exemplo:

Renuncio a boa parte dos institutos públicos criados com o propósito de me servir;

Renuncio à maior parte das fundações públicas, privadas e áquelas que não se sabe se são públicas se privadas, mas generosamente alimentadas para meu proveito, com dinheiros públicos;